Senadores acreditam no envolvimento de ACM com os grampos telefônicos

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Publicado sexta-feira, 4 de abril de 2003 as 09:30, por: cdb

Os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), líderes do governo e do PSDB no Senado, respectivamente, afirmaram, no início nesta quinta-feira, que o depoimento do jornalista Luiz Cláudio Cunha ao Conselho de Ética da Casa mostra envolvimento do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) com o episódio da escuta ilegal de telefones de dezenas de pessoas na Bahia.

As declarações foram feitas depois que os integrantes do Conselho ouviram gravação de declarações feitas por ACM em entrevista a Luiz Cláudio Cunha e ao jornalista Weiller Diniz, ambos da revista IstoÉ, no dia 30 de janeiro deste ano. De acordo com Cunha, o senador revelou, na ocasião: “Eu mandei grampear Geddel”. A frase é uma referência ao deputado Geddel Vieira Lima (PMDB), um dos principais adversários políticos de ACM na Bahia.

Para Mercadante e Virgílio, o testemunho de Cunha, mais do que a fita, mostrou envolvimento de ACM no episódio. “A fita não comprova de forma cabal que ACM é o mandante dos grampos na Bahia, mas o testemunho (de Cunha), sim”, disse o líder do governo. “Parece muito nítida a ligação do senador Magalhães com o grampo”, afirmou Virgílio.

A sessão de hoje do Conselho de Ética, já encerrada, teve início às 10h50. O relator da sindicância no Conselho, senador Geraldo Mesquita (PMDB), anunciou a decisão de convidar Antonio Carlos Magalhães a prestar depoimento, no dia e hora em que o senador baiano o desejar.

Weiller Diniz, em seu depoimento, procurou mostrar vinculação entre o conteúdo da conversa de 30 de janeiro e o teor das denúncias enviadas por Magalhães a vários ministros do governo Fernando Henrique Cardoso. A senadora Heloísa Helena (PT-AL), que havia anunciado a determinação de apresentar requerimento convocando Adriana Barreto, ex-namorada de Magalhães, a prestar depoimento, disse que prefere aguardar o depoimento do senador pefelista.