Senadora petista pede saída de Palocci e ataca “projeto pessoal”

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Publicado quarta-feira, 1 de junho de 2011 as 09:55, por: cdb

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sugeriu a seu partido a demissão do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci — que não consegue explicar como aumentou seu patrimônio em 20 vezes atuando como consultor no período em que exerceu mandato de deputado (2006-2010). Mulher do ministro Paulo Bernardo (Comunicações), Gleisi expôs sua opinião durante almoço que ofereceu, na semana passada, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.A senadora, segundo participantes do almoço com Lula, perguntou ao ex-presidente se era “estratégico” mobilizar o governo e sua base em defesa de um projeto pessoal — em referência à evolução patrimonial de Palocci. O governo tenta evitar que Palocci seja convocado a depor no Congresso sobre sua evolução patrimonial.

Nesta terça-feira (2), na Câmara, o ex-governador do Rio de Janeiro e deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) usou abertamente a crise para pressionar o governo a aprovar uma medida que cria um piso salarial para policiais. Segundo ele, os deputados que defendem o piso devem pedir a convocação do ministro para depor.

“Temos uma pedra preciosa, um diamante que custa R$ 20 milhões, que se chama Antonio Palocci”, disse, referindo-se ao faturamento do ministro no ano eleitoral de 2010. Garotinho lembrou que o governo foi obrigado a voltar atrás da distribuição de um kit anti-homofobia: “A bancada evangélica pressionou e o governo retirou o kit gay. Vamos ver agora quem é da bancada da polícia. Ou vota, ou o Palocci vem aqui.”

Os ataques a Palocci se intensificaram na semana passada, depois que a crise acirrou os ânimos entre governo, aliados e petistas. Aliados, PMDB à frente, querem maior participação nas decisões de governo, aprovar questões de seu interesse e acelerar as nomeações no segundo escalão.

Já os petistas se queixam, sobretudo, do desconforto de ter que dar explicações públicas sobre a evolução patrimonial do ministro. O primeiro petista ilustre a reclamar foi o governador da Bahia, Jacques Wagner. Em entrevista a uma rádio, ele cobrou explicações e disse que a evolução patrimonial do chefe da Casa Civil “chama a atenção”.