Senador quer o Brasil fora do controle de armas nucleares

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Publicado quarta-feira, 26 de março de 2003 as 21:10, por: cdb

O senador Roberto Saturnino (PT-RJ) propôs que o Brasil saia do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), preparando-se para produzir artefatos nucleares, caso os Estados Unidos não venham a sofrer sanções internacionais. Para Saturnino, os norte-americanos estão promovendo um massacre contra um país pobre como o Iraque.

– Se o que vale é a força e a defesa cínica dos interesses de cada país, não faz sentido o Brasil ficar como otário, respeitando um compromisso que perdeu sua razão de ser, como é o caso do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Os países têm a obrigação de se armar atomicamente para serem respeitados, e o Brasil já dispõe de desenvolvimento tecnológico para tal – disse.

Segundo Saturnino, o Brasil tem defendido uma posição ética neste conflito e se destacado na busca da paz e do fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU). Se a ONU for revigorada, essa deverá ser a política internacional brasileira.

– Mas, com os Estados Unidos agindo sem pudor ao dar, à empresa que foi do vice-presidente, Dick Cheney, um contrato para ganhar muito dinheiro no Iraque, ficar apenas defendendo a ética será fazer papel de bobo – observou.

Saturnino defendeu também que a ONU deixe de ter sua sede em Nova York, para que não seja ainda mais enfraquecida. Para ele, a ONU não se curvou às pressões dos Estados Unidos e da Inglaterra, não foi vencida, foi derrotada pela coalizão.

O senador pelo Rio de Janeiro conclamou nações como a França, a Rússia, a China e o Brasil a defenderem a permanência da ONU como única instância legítima de solução de controvérsias. “É isso que pedem as inúmeras manifestações de rua contra a guerra e a favor da paz, até mesmo nos Estados Unidos e Grã-Bretanha”, disse.

Ele protestou, ainda, contra a utilização, pelos Estados Unidos, de munição com urânio. “Mesmo que não seja urânio enriquecido, será que não haverá conseqüências nefastas para os iraquianos, e até mesmo para os soldados americanos?”, perguntou.

Para Saturnino, o governo norte-americano perdeu sua credibilidade, tendo em vista tantas notícias por ele divulgadas e posteriormente desmentidas pelos fatos.

– Não se pode dar fé aos comunicados dos Estados Unidos, quando a recepção calorosa dos iraquianos se transformou em feroz resistência e cidades que haviam sido conquistadas mais tarde continuavam a resistir. Eles serão desmascarados, se as armas químicas usadas como pretexto para agredir o Iraque não forem encontradas – concluiu Saturnino.