Senador Agripino Maia é alvo de investigações do Coaf

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Publicado segunda-feira, 13 de junho de 2016 as 13:32, por: cdb

Um dos articuladores do golpismo, Agripino Maia ocupou por vezes a tribuna do Senado para discursar contra a corrupção

Por Redação, com Vermelho e Agências de Notícias – de Brasília:

O presidente do DEM, Agripino Maia (RN) – investigado por suspeita de receber propina da empreiteira OAS – agora é alvo de investigações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Maia teria realizado operações suspeitas no valor de R$ 15,9 milhões entre dezembro de 2011 e novembro de 2014.

Agripino Mais
Em abril deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do senador

É o que aponta o relatório do Coaf, que integra o inquérito contra o parlamentar que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal, por conta do foro privilegiado, apontando suspeita de lavagem de dinheiro.

Um dos articuladores do golpismo, Agripino Maia ocupou por vezes a tribuna do Senado para discursar contra a corrupção. Depois que passou a ser investigado pelo STF seu discuso deu lugar a declarações de que tudo não passava de intriga.

Mas segundo apurou a Polícia Federal, Agripino recebeu propina para viabilizar a liberação de recursos do BNDES para a empreiteira, para financiar a construção do estádio Arena das Dunas, em Natal, construído para a Copa de 2014.

Parceiro

Em trechos de gravações divulgados pela Folha de S. Paulo, o senador potiguar foi citado em conversas entre o ex-presidente da Transpetro e delator na Lava Jato, Sérgio Machado, e o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB). Na conversa, Machado questiona a Renan: “Quem é que nunca pediu dinheiro? José Agripino, Aécio, Arthur, Aloysio”.

Em outra conversa, ambos citam Agripino como pessoa certa opara integrar a cúpula para barrar a Lava Jato. Machado diz que o senador é alguém que “pode ser parceiro”. “Não é possível que ele vá fazer maluquice”, disse o ex-presidente da Transpetro.

Na mesma conversa, Renan respondeu: “O Zé nós combinamos de botá-lo na roda. Eu disse ao Aécio e ao Serra que no próximo encontro que a gente tiver tem que botar o Zé Agripino e o Fernando Bezerra. Eu acho”.

Agripino e quebra sigilos fiscal e bancário

Em abril deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do senador José Agripino Maia (DEM-RN) e de mais dez pessoas e cinco empresas ligadas ao parlamentar, que é presidente do DEM.

Em outubro do ano passado, o STF abriu um inquérito contra o senador. A Procuradoria-Geral da República (PGR) utilizou mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de um dos executivos da empreiteira OAS, José Aldelmário Pinheiro, condenado na Operação Lava Jato, para embasar o pedido de abertura de inquérito contra Agripino.

O senador é investigado pelo suposto recebimento de dinheiro da empreiteira OAS, responsável pela construção da Arena das Dunas, estádio construído em Natal para Copa do Mundo de 2014.

A PGR pediu a quebra dos sigilos de 2010 a 2015. De acordo com o pedido, há elementos nos autos que indicam que “os fatos se relacionam a complexo esquema de recebimento e repasse de valores ilícitos para várias pessoas, mediante a utilização de diversas empresas, com a finalidade de ocultar a origem e o destino final dos recursos envolvidos. Nesse contexto, mostra-se essencial à descoberta da verdade o acesso aos dados fiscais e bancários dos implicados na situação”.

A quebra de sigilo bancário e fiscal foi decidida por Barroso no último dia 7 e atende a um pedido feito pela PGR no mês passado. De acordo com a decisão, a PGR demonstrou que as provas apontam indícios de lavagem de dinheiro.