Senado recua e vai incluir impeachment em galeria

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Publicado terça-feira, 31 de maio de 2011 as 12:15, por: cdb

“Não temos nada a esconder nesta Casa”, diz Sarney ao anunciar decisão. Ontem ele havia classificado queda de ex-presidente como “acidente”

Edson Sardinha

O Senado voltou atrás e vai incluir imagens do impeachment do ex-presidente Fernando Collor na exposição sobre os principais fatos do Legislativo desde 1822 no chamado “túnel do tempo”, corredor que liga o plenário aos gabinetes e às comissões.  A inclusão foi determinada hoje pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), após a repercussão no noticiário da omissão do fato histórico.

Em vídeo divulgado no Blog do Senado, Sarney se eximiu de responsabilidade pelo teor da exposição. Segundo ele, o Senado não tem nada a esconder.

“Li hoje todo o noticiário nos jornais a respeito da exposição feita pelo Senado no ‘túnel do tempo’. Eu não fui curador nem autor dessa exposição, mas, para evitar interpretações equivocadas, acabo de determinar à seção competente do Senado, a sua administração, que faça constar da devida exposição o impeachment do presidente Collor, uma vez que nós não temos nada para esconder nesta Casa”, afirmou.

A concepção da galeria do túnel do tempo é desenvolvida pela Subsecretaria de Projetos Especiais (Supres) do Senado, por meio do setor de criação e marketing. Já a pesquisa de texto ficou a cargo do historiador Pedro Costa. Ontem Sarney classificou o impeachment como “um acidente que não deveria ter acontecido”.

Novo “túnel do tempo” omite impeachment de Collor

A nova instalação no corredor que separa o plenário dos gabinetes e comissões deixou de fazer menção à queda de Collor em dezembro de 1992, quando o próprio Senado ratificou a decisão da Câmara e determinou a cassação do mandato presidencial – a primeira da história do país. Collor é hoje senador pelo PTB de Alagoas. Os painéis instalados anteriormente faziam menção à queda do ex-presidente.

Segundo a Subsecretaria de Projetos Especiais, a omissão do impeachment evidencia a orientação de destacar os feitos legislativos do Senado. “A opção dos historiadores foi destacar os fatos marcantes da atividade legislativa”, alegou a Supres, acrescentando que apenas “a discussão e a aprovação das leis” foram enfocadas na galeria.

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