Sem-teto deixam hotel em Brasília

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Publicado domingo, 20 de setembro de 2015 as 18:38, por: cdb

Por Redação, com ABr – de Brasília:

Manifestantes do Movimento Resistência Popular (MRP), de luta pelo direito à moradia, começaram a deixar o Hotel Saint Peter, no centro de Brasília, na tarde deste domingo, depois de chegarem a um acordo com o governo do Distrito Federal (GDF). O local estava ocupado desde o ultimo dia 14. Segundo líderes do movimento, mais de 400 famílias estavam no prédio.

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Quatro caminhões foram carregados com os objetos dos integrantes do movimento, como colchões e pertences pessoais

As pessoas foram levadas em nove ônibus – cinco do GDF e quarto oferecidos pelo proprietário do hotel – para o Clube Primavera, em Taguatinga, a 40 minutos do centro da capital. O terreno está desocupado e pertence a uma das empresas do governo local. Quatro caminhões foram carregados com os objetos dos integrantes do movimento, como colchões e pertences pessoais.

– A ideia é irmos para este local e só sairmos de lá para as casas definitivas [prometidas pelo governo] – disse Edson Silva, um dos responsaveis pelo movimento.

– Não era o que a gente queria. Queríamos ir direto para casas [definitivas], mas é um espaço legal. Foi o que deu para nós – completou.

Ele acrescentou que as empresas de energia e distribuição de água do DF irão nesta segunda-feira até o terreno ocupado provisoriamente para garantir o fornecimento de serviços básicos. Ainda não há uma indicação do GDF sobre local ou prazo para que o espaço definitive fique pronto. Segundo Edson, na terça-feira haverá uma nova reunião com o GDF para fornecer mais detalhes sobre os novos imóveis.

Responsável pelo movimento de desocupação, o major Hercules Freitas, coordenador da Subsecretaria de Ordem Pública, avaliou que a retirada foi dentro das previsões do órgão.

– Tudo foi muito tranquilo e pacifico – afirmou.

O major acrescentou que outros dois caminhões foram a sede do sindicato do movimento pegar barracas que tinham sido retiradas do Setor Bancário Norte onde o grupo estava acampado antes de ocuparem o hotel.

– Tínhamos retirado e deixado no sindicato. Hoje vamos tudo para o clube para as famílias montarem acampamento por lá – disse.

O advogado do Hotel Saint Peter, Sérgio Roncador, acompanhou a desocupação. Segundo ele, a estratégia da defesa será levantar possíveis estragos provocados pelo movimento.

– Tivemos a medida judicial para reintegrar o hotel. Agora vamos apurar o que de fato tem de prejuízo e, a partir daí, vamos buscar os responsáveis para ressarcir os proprietários. Tudo vai ser analisado com calma a partir da constatacao do dano para individualizer as responsabilidade – afirmou.

Líderes do Movimento Resistência Popular negam terem provocado estragos no prédio. Segundo eles, o hotel estava em reforma e muitas coisas já estavam quebradas quando entraram no local.

– Eles vão ter de provar que fomos nós que estragamos. Nada foi quebrado [pelo movimento]- garantiu Edson Silva.