Sem-terra são retirados de rodovia em Sergipe

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Publicado segunda-feira, 1 de setembro de 2003 as 17:04, por: cdb

As 560 famílias de sem-terra que desde julho passado acampavam às margens da rodovia SE-245, entre os municípios de Riachuelo e Malhador, nas proximidades do Projeto Jacarecica II, foram retiradas nesta manhã de segunda-feira.

O mandado de reintegração, expedido pela juíza da Comarca de Riachuelo, Anuska Rocha Souza, foi cumprido por 350 policiais militares, depois de uma longa negociação, que começou a ser feita a partir das 8h da manhã.

Exatamente às 12h10, o pelotão de Choque e uma retroescavadeira avançaram sobre as famílias. Ao mesmo tempo, os sem-terra vinham no sentido oposto, oferecendo flores e mudas de árvores, mas as oferendas não foram aceitas.

Os sem-terra pensaram em reagir, mas foram persuadidos a desistir da idéia pelo diretor nacional do Movimento Sem-Terra (MST), Esmeraldo Leal, que preferiu a negociação com o coordenador da operação, tenente-coronel PM Antônio Santos, comandante do policiamento do interior. Os manifestantes interditaram a rodovia, colocando galhos de árvores e queimando pneus velhos.

Com medo de um possível confronto, o MST negociou bastante, juntamente com a ouvidora do Incra, Gilda Diniz.

O cumprimento do mandado de reintegração de posse expedido pela juíza Anuska Rocha parece ter posto um fim no diálogo entre MST e o governo do Estado. Estava prevista a segunda reunião entre o MST, Incra e governo estadual, mas o governador João Alves Filho (PFL) viajou para Brasília, e por causa disso o encontro acabou não acontecendo.

— Mais uma vez estamos vendo que o governador não quer negociar conosco. Já estávamos dispostos a sair pacificamente amanhã, pois iríamos conversar hoje, mas fomos surpreendidos com a polícia que chegou aqui por volta das 5h da manhã — disse Esmeraldo Leal.

O diretor nacional do MST ainda vai discutir com os sem-terra que rumo tomar, já que o governo do Estado não vem cumprindo a sua parte em negociar. Ele não sabia por onde deslocar as 560 famílias que tiveram que sair da rodovia estadual.

Só havia duas opções: ocupar uma estrada vicinal no município de Riachuelo ou então seguir para o assentamento Tinguí, onde já vivem 249 famílias. A primeira opção era a mais provável, porque o assentamento não tem estrutura para receber tanta gente.