Segurança máxima para garantir Carnaval no Rio

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Publicado terça-feira, 25 de fevereiro de 2003 as 16:14, por: cdb

No dia seguinte à segunda-feira de violência promovida por traficantes de drogas, as autoridades do Rio de Janeiro puseram em prática uma operação de segurança máxima nas ruas da cidade, para garantir a tranqüilidade da população durante o Carnaval.

O comandante-geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Renato Hottz, disse nesta terça-feira à imprensa que todos os batalhões da corporação mantêm-se em alerta e com todos os efetivos patrulhando os bairros.

“Acho que a situação na cidade está sob controle. De qualquer forma, temos 16.000 homens nas ruas para que a população se sinta segura”, comentou Hottz.

Esse número de policiais deslocados para o patrulhamento representa exatamente o dobro dos PMs que habitualmente vigiam as ruas da cidade.

Na manhã desta terça-feira, era possível ver soldados posicionados nas entradas das favelas, nos acessos às principais avenidas da cidade e nos terminais de ônibus, para prevenir uma eventual e nova onda de violência por parte dos traficantes de droga.

O enorme dispositivo foi acionado na madrugada de segunda-feira, por causa da onda de violência que varreu a cidade, mas a principal preocupação é garantir que a população e os turistas desfrutem de um clima de paz durante as festas de Carnaval.

A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, anunciou nesta terça-feira que “a polícia continua vigilante, e que a situação está sob controle”.

Para o secretário de Turismo do Rio de Janeiro, José Eduardo Guinle, o que aconteceu segunda-feira é “lamentável”, ante os altos investimentos em campanhas publicitárias feitos para melhorar a imagem da cidade no mundo.

“Espero que o carnaval e o bom humor dos moradores do Rio de Janeiro dissipem a má impressão dos turistas”, disse Guinle.

O setor hoteleiro aguarda 400.000 turistas (locais e estrangeiros) durante o Carnaval, 10% a mais que no ano passado.

Apesar da intensa presença policial, a cidade viveu durante a madrugada incidentes isolados. Na zona norte, três ônibus foram depredados e incendiados por homens armados durante a madrugada, sem que a polícia chegasse a tempo para impedi-lo.

Já no início da manhã desta terça-feira, um supermercado que havia se negado a fechar as portas ante a ameaça dos traficantes foi metralhado. Segundo cálculos da Federação de Comércio, a segunda-feira sem lei trouxe perdas para o setor avaliadas em 50 milhões de reais (14 milhões de dólares).

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, coronel Josias Quintal, defendeu a idéia de que grupos das Forças Armadas auxiliem no combate à violência.

“A polícia não pode ser onipresente. A cidade do Rio de Janeiro possui 650 favelas, comentou o secretário.

Para Hottz, a onda de atentados desatada pelos traficantes foi motivada não apenas pela ação policial contra os traficantes mas também pelas condições em que seus líderes vivem nas prisões.

Ontem foram detidas 70 pessoas. Entre elas, 31 que participaram do incêndio de 26 ônibus, acusadas de ‘associação ao narcotráfico’, um crime inafiançável.