Secretário de Transportes defende prisão dos diretores de sindicato

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Publicado segunda-feira, 7 de abril de 2003 as 13:41, por: cdb

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, defendeu em entrevista ao SPTV na tarde desta segunda-feira a prisão dos diretores do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo por crime de responsabilidade. Ele também pediu uma atuação mais enérgica da Polícia Militar para garantir a circulação dos ônibus na cidade.

A greve de ônibus da capital paulista nesta segunda-feira atinge todas as 39 empresas da cidade e prejudica cerca de 3,6 millhões de pessoas, segundo a SPTrans (São Paulo Transportes). A paralisação começou à 0h e será por tempo indeterminado, conforme afirmou o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo.

De acordo com a SPTrans, todos os terminais da cidade estão fechados. As 122 vans do projeto “Atende” da Prefeitura – serviço que transporta portadores de deficiência física – foram impedidas de sair das garagens e também não circulam. Estão em operação somente os veículos dos sistemas Bairro-a-Bairro, lotações e peruas escolares, que estão autorizadas a transportar passageiros nesta segunda-feira.

Durante a madrugada um tumulto aconteceu na frente da garagem da viação Santa Brígida, zona norte da cidade, e pelo menos três ônibus que tentavam sair do local foram depredados. Outro incidente foi registrado em frente à viação Paratodos e um veículo foi incendiado. No começo da manhã, outros três veículos foram alvo de pedradas, um da viação Expandir e dois da Gatusa.

A paralisação, segundo o sindicato, é um protesto contra o encerramento das atividades de oito empresas de ônibus, anunciado neste sábado pela Prefeitura de São Paulo. As viações Santa Bárbara, São Judas, Parelheiros, Transportes Urbanos Cidade Tiradentes, América do Sul, Serra Negra, Marazul e Solution Bus foram excluídas do processo de licitação que está em andamento na capital. De acordo com a São Paulo Transportes (SPTrans), as empresas demonstraram não ter condições de participar do novo sistema de transporte.

Segundo o presidente do Sindicato dos Condutores, Edvaldo Santiago, pelo menos 10,8 mil funcionários correm o risco de perder o emprego e a categoria só voltará ao trabalho quando a prefeitura se comprometer que nenhum trabalhador fique na rua.

No entanto, o secretário Jilmar Tatto declarou, em entrevista à rádio CBN, que esse número estipulado pelo sindicato “não corresponde à verdade”. De acordo com Tatto, na semana passada, a prefeitura tentou se reunir com os sindicalistas, mas eles se recusaram. Ele classificou a greve como “irresponsável” e disse que os diretores do Sindicato dos Condutores estão aliados com os “maus empresários” que não querem a reformulação do sistema de transporte na cidade.

Está marcada para as 15h uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que deve reunir representantes do Sindicato dos Motoristas, SPTrans, Transurb e Ministério Público do Trabalho.