Scolari vai continuar jogando o futebol de resultados

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Publicado sexta-feira, 17 de agosto de 2001 as 20:49, por: cdb

Mal a torcida gaúcha comemorava a sobrevida nas eliminatórias obtido com os 2 a 0 sobre o Paraguai, o técnico Luiz Felipe Scolari tratou de dar um “choque de realidade” nos que imaginam que o resultado foi a senha para a seleção voltar a jogar bem.

Segundo ele, ainda é cedo para isso. “No momento em que estivermos numa situação garantida [nas eliminatórias], poderemos desenvolver um futebol um pouco mais vistoso. Mas, por enquanto, a situação ainda é sufocante. Temos, então, que jogar buscando o objetivo em primeiro lugar”.

A vitória aproximou o Brasil de Paraguai e Equador, segundo e terceiro colocados nas eliminatórias, mantendo a seleção no quarto lugar. Quatro seleções sul-americanas se classificam para a Copa e a quinta colocada disputa uma repescagem contra a Austrália.

O futebol de resultados, tônica de Scolari desde que assumiu a seleção, em junho, destoa do que tem praticado o próximo adversário do Brasil nas eliminatórias, a Argentina. Líderes isolados do torneio, com 35 pontos, únicos do continente já classificados ao Mundial da Coréia e Japão, os argentinos têm unido técnica, força ofensiva e disciplina tática.

Mais faltas – E para enfrentar a Argentina, no próximo dia 5, em Buenos Aires, a principal preocupação de Scolari é que sua equipe marque melhor e consiga destruir com faltas as jogadas do adversário na intermediária – algo que já reclamara após a derrota para o Uruguai, em sua estréia na seleção.

“Vamos precisar de uma marcação mais forte, umas jogadas mais rígidas. Quando chegamos lá [no campo rival], somos parados, dificultados com qualquer tipo de falta. Quando é o contrário, não. Estamos querendo jogar futebol de uma forma limpa, sem encostar no adversário”, queixou-se o técnico após o jogo.

“Então talvez a gente precise fazer umas duas modificações, principalmente no meio, para ficarmos mais compactos”.

Mauro Silva – A importância dessa mudança é tão grande para Scolari que o técnico já insinuou que pode perdoar o volante Mauro Silva e convocá-lo novamente para a seleção.

Escolhido por Scolari para ser o líder do time na Copa América da Colômbia, o jogador do La Coruña desistiu de disputar o torneio no aeroporto, instantes antes do embarque da delegação. Mauro Silva alegou que se tratava de uma atitude de protesto pela realização da Copa América num país com problemas de violência como a Colômbia. A atitude irritou o treinador, mas, agora, a necessidade parece ser maior que a raiva.

“Contra o Paraguai não tínhamos o Emerson, o Mauro, que ainda podemos ver no futuro. Tínhamos o Tinga [23 anos] e o Eduardo [Costa, 18], jogadores jovens que, mesmo jogando na casa deles, sentem um pouquinho. E não são tão afeitos a uma marcação mais forte, mais rígida, com algum impacto no adversário. Toda hora que chegávamos lá, éramos parados. Eles [os paraguaios], não. Se jogar com a Argentina assim…”

Balão de ensaio – O treinador, entretanto, acredita que a tradição do confronto possa ajudar o Brasil. “É um clássico. Depois da oração [ao final do jogo contra o Paraguai], todos já estavam falando da Argentina, porque é um jogo diferente”.

Para esta partida, o ataque é outro setor da seleção que preocupa Scolari. “Temos de ter um pouquinho mais de velocidade, de habilidade, drible, para que possamos criar a chance de vencer”.

Ontem, ele pôs em campo um esquema em que Marcelinho Paraíba e Rivaldo se alternaram ao lado de Edílson. Rivaldo treinara a maior parte do tempo como atacante, mas passou os 15 primeiros minutos mais recuado e depois foi para a frente. “Lançamos um balão de ensaio para o adversário entrar na onda. Rivaldo ia começar no meio, iniciou o Marcelinho. Eles marcaram o Rivaldo, o Marcelinho fez o gol”.

Marcelinho deve ser mantido no time em Buenos Aires, mas Edílson, que não teve uma grande atuação, tem menos chances.

A convocação dos jogadores que atuam no exterior para a partida contra a Argentina será feita na próxima terça-feira. Não foi defin