Schroeder: Resolução da ONU não prevê uso da força contra Iraque

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Publicado quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003 as 11:40, por: cdb

O chanceler da Alemanha, Gerhard Schroeder, comprometeu-se nesta quinta-feira a defender qualquer parceiro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em caso de ataque, mas reiterou que seu país não participará de nenhuma ação militar contra o Iraque, afirmando que a guerra deve ser o “último recurso para a resolução de crises”.

Schroeder argumentou que a resolução 1.441 do Conselho de Segurança das Nações Unidas — que concede um mandato para inspeções no Iraque — não autoriza o uso de força militar se Bagdad não cooperar plenamente com o desmantelamento de seus programas de armas químicas, biológicas e nucleares.

“Os cidadãos desse país, como nossos amigos e aliados, têm o direito de saber (do governo) se vamos participar ou não de uma ação militar”, declarou, durante um discurso no Bundestag, a câmara baixa do Parlamento, com transmissão pela televisão. “Esse governo disse não a essa questão e continuará dizendo não”.

“Se nós declararmos agora que o processo de desarmamento pacífico do Iraque fracassou, então fortaleceríamos a posição dos fanáticos e dos que querem transformar em realidade essa confrontação de culturas”, acrescentou. “É por essa razão que temos o dever de olhar debaixo de cada pedra duas vezes a fim de chegar a uma solução pacífica”.

A resolução 1.441 adverte o Iraque sobre a possibilidade de sofrer “sérias conseqüências” se não honrar as obrigações dispostas no documento.

Referindo-se ao atual impasse na Otan sobre os planos de implementar de imediato medidas de contingência na Turquia para protegê-la de um ataque do Iraque no caso de uma guerra, Schroeder garantiu que a Alemanha honraria suas obrigações junto à aliança e defenderia aquele país.

Alemanha, França e Bélgica opõem-se a propostas defendidas pelos Estados Unidos na Otan de enviar à Turquia aviões de vigilância AWACS, mísseis Patriot e equipes de detecção de armas químicas e biológicas.

Os três países consideram que tal iniciativa poderia prejudicar os esforços diplomáticos das Nações Unidas. Sua decisão provocou duras críticas de Washington.

Schroeder ressaltou que os alemães deveriam ter orgulho das contribuições do país para a guerra internacional contra o terrorismo, e do fato de a Alemanha ter o segundo maior contingente militar envolvido em missões de manutenção da paz, e afirmou que Berlim tinha o direito de divergir de Washington em relação ao Iraque.

Embora o Iraque não possua armas nucleares, segundo Schroeder, pode contar com os meios de produzir outras armas de destruição em massa.

“Por essa razão, os inspetores da ONU têm que continuar seu trabalho no Iraque. Temos que saber o que o país possui. Se eles tiverem essas armas, temos que assegurar sua destruição, conforme dispõe a resolução 1.441. Essa é nossa tarefa”, completou.