Saúde economiza R$ 14 mi depois de auditorias

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Publicado segunda-feira, 15 de setembro de 2003 as 10:49, por: cdb

O Ministério da Saúde economizou R$ 14 milhões, cancelou pelo menos 50 contratos e investiga outros 50 servidores públicos suspeitos de envolvimento em irregularidades nos cinco hospitais federais do Rio. Esses são os resultados preliminares de auditorias que acabaram de ficar prontas e levantaram os “ralos” do dinheiro público nessas unidades. Os relatórios estão sendo encaminhados para o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal.

A investigação durou quatro meses e foi realizada no Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), no Hospital de Cardiologia de Laranjeiras, no Hospital dos Servidores do Estado (HSE) e no Hospital Geral de Bonsucesso. Em alguns deles, a Polícia Federal e o MPF já abriram seus próprios inquéritos.

As auditorias encontraram casos de mau uso de dinheiro público em todas as unidades. Os mais absurdos foram descobertos no Into e no HSE. No primeiro, já foram recuperados R$ 3 milhões e a direção quer entrar na Justiça para tentar reaver outros R$ 6,3 milhões. A maior parte é de casos de licitações ou contratações emergenciais para beneficiar fornecedores.

Uma das irregularidades que já foram transformadas em inquérito policial foi a contratação de quatro empresas para reformar o CTI do hospital. A auditoria descobriu que o contrato, no valor de R$ 300 mil, era feito com três empresas de propriedade da mesma pessoa e com uma quarta pertencente à mulher de um funcionário do Into.

A auditoria também encontrou falsificações em pareceres jurídicos para autorizar compras de material. O HSE, um dos maiores do Rio, atendendo três mil pessoas por dia, não realiza mamografias e tomografias apesar de ter máquinas de última geração. O hospital já foi uma referência no País.

O ministro da Saúde, Humberto Costa, disse que pretende criar uma comissão de representantes das unidades federais e realizar, mensalmente, uma reunião para discutir as mudanças nos hospitais. Costa prometeu ir ao Rio uma vez por mês para acompanhar de perto essa situação. “Sabemos que todos têm problemas. E já vimos que há corrupção pesada e, em alguns casos, podemos perceber até a atuação do crime organizado”, afirmou o ministro.

Na última sexta-feira, Costa esteve no Rio para empossar o novo diretor-geral do Inca, José Gomes Temporão.

No instituto, uma sindicância do ministério já apurou várias irregularidades cometidas pela equipe do ex-diretor-geral Jamil Haddad, também nomeado pelo ministro.