Saúde bucal ainda é para poucos no Brasil

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Publicado sábado, 6 de março de 2010 as 14:50, por: cdb

A quantidade de dentistas vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 49% entre 2002 e 2009. Nesse período, o número de profissionais passou de 40.205 para 59.958, mais de 19 mil contratações. Os dados foram divulgados esta semana pelo Ministério da Saúde e fazem parte de uma pesquisa realizada durante o ano de 2009.

Segundo o coordenador nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Gilberto Pucca, a expansão dos serviços públicos na área de odontologia é consequência do investimento no Programa Brasil Sorridente.

O coordenador afirma que essa é a primeira vez que o país tem uma política pública de saúde bucal.

– O Brasil tem uma história de quase total abandono [com a saúde bucal], só quem tinha dinheiro fazia tratamento odontológico.

A dona de casa Marinalva Salviano, moradora do Riacho Fundo, uma das cidades satélites do Distrito Federal, diz estar muito feliz com o tratamento que está fazendo na Diretoria de Saúde do Trabalhador (Disat), um dos seis Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) implantados pelo ministério na região.

– Não teria condições de pagar esse tratamento se ele fosse particular. Estou gostando muito do atendimento e já me sinto bem melhor, estou muito satisfeita –, diz Marinalva.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil Sorridente recebeu, entre 2003 e 2006, investimentos de mais de R$ 1,2 bilhão. Entre 2007 e 2010, o montante investido alcançará cerca de R$ 2,7 bilhões.

Com o crescente investimento, o número de Equipes de Saúde Bucal passou de 4.261 para 18.982, atendendo a 84,8% das cidades brasileiras. As equipes são responsáveis pelo primeiro atendimento e procedimentos simples, como extração dentária, restauração, pequenas cirurgias e aplicação de flúor.

O número de Centros de Especialidades Odontológicas também cresceu, passando de 100 para 808 entre 2004 e 2009. Os CEOs atendem pacientes com necessidades especiais e fazem tratamento de canal e de gengiva, diagnóstico de câncer bucal e colocação de prótese dentária.

Mesmo com o aumento de profissionais, a espera para receber atendimento ainda é grande. Marinalva, por exemplo, demorou três anos para conseguir iniciar seu tratamento.

– Só é difícil chegar aqui. Fiz a inscrição no posto de saúde há três anos e só agora consegui –, explica.

De acordo com o ministério, o programa Brasil Sorridente já atendeu mais de 90 milhões de brasileiros.

– Temos um aumento significativo no atendimento, porém ainda temos que alcançar metade da população –, ressalta Gilberto Pucca.

O Brasil Sorridente é o principal programa da Política Nacional de Saúde Bucal do governo federal e tem o objetivo de garantir ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal dos brasileiros, com tratamento odontológico gratuito por meio do SUS.