Saúde amplia combate à hanseníase

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Publicado quinta-feira, 10 de outubro de 2002 as 00:30, por: cdb

O ministro da Saúde, Barjas Negri, assinou hoje portaria que define diretrizes e estratégias para facilitar alianças com municípios e estados para combater a hanseníase. O objetivo é chegar a 2005 com menos de um caso por 10 mil habitantes, eliminando, assim, a hanseníase como problema de saúde pública no país. “Esperamos que, no prazo de dois a três anos, consigamos eliminar a hanseníase como caso de saúde pública”, afirmou o ministro.

A portaria cria um bônus de incentivo para a detecção e confirmação do diagnóstico da doença. “A portaria é um passo adiante, mas ainda não é suficiente, pois é preciso parceria de estados, municípios e voluntários para a eliminação da doença”, ressaltou Negri. A expectativa do ministério é ampliar em 30% a detecção de casos novos de hanseníase nos 607 municípios considerados prioritários para eliminação da doença. O maior número de casos se concentra nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Para receber o incentivo, os estados e municípios precisam assinar um Termo de Adesão se comprometendo a usar o dinheiro nas ações para a erradicação da hanseníase até 2005. Entre essas ações estão a criação de uma aliança municipal, capacitação de profissionais de saúde, realização de campanhas informativas para população, mobilização comunitária para diagnóstico e mutirões para detectar a doença.

Os municípios considerados prioritários são os que têm população acima de 20 mil habitantes e apresentam taxa de prevalência da doença superior a quatro casos por 10 mil habitantes ou índice de detecção de casos novos superior a dois por 10 mil. Também estão incluídos municípios com população abaixo de 20 mil habitantes que notificarem pelo menos 12 casos novos de hanseníase no ano anterior.

Este ano, o investimento é de cerca de R$ 48 milhões em ações de prevenção e tratamento da hanseníase e tuberculose. Do total, aproximadamente R$ 18 milhões serão destinados para apoiar estados, municípios e centros de referência dessas doenças. De acordo com o ministério, as secretarias municipais receberão R$ 60 para cada notificação de caso novo e as secretarias estaduais, R$ 10. No ano passado, o investimento foi de R$ 41 milhões.

O ministro ressaltou que o número de casos de hanseníase no Brasil está diminuindo, mas ainda é alto. Atualmente, 75 mil pessoas contraem a doença por ano. De 1991 a 2001 a taxa de prevalência da doença caiu de 17 para quatro casos a cada 10 mil habitantes. Isso significa uma redução de 80% no número de casos. “É preciso redobrar nosso trabalho para que reduza isso, rapidamente, à metade, em dois, três anos”, disse Barjas Negri.

A hanseníase é uma doença causada por um micróbio chamado bacilo de Hansen,que ataca a pele, os olhos e os nervos. Os sintomas são manchas brancas e vermelhas na pele ou áreas com dormência. Atualmente, há remédios para curar a doença em pouco tempo, mas os nervos da pele, braços e pernas que já estavam afetados podem não voltar mais ao normal. Em média, o tratamento dura de seis meses a um ano. As reações do organismo ao micróbio podem atingir o nervo durante o tratamento e até depois da alta. Os micróbios de um doente sem tratamento passam para a pessoa sadia principalmente por meio de contatos diretos e freqüentes. A maioria das pessoas resiste e não adoece.