Sargento suspeito de matar jornalista é preso na Baixada

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Publicado sexta-feira, 14 de setembro de 2001 as 17:33, por: cdb

Foi preso ontem um suspeito do assassinato do jornalista Mario Almeida Coelho Filho, 42 anos, morto no dia 16 de agosto, próximo à sua casa em Magé. O sargento reformado da Polícia Militar Manoel Daniel de Abreu Filho foi detido em sua casa, no bairro Vale do Ypê, em Belford Roxo.

O militar tinha em seu poder uma pistola PT-380, mesmo calibre da arma usada no assassinato do jornalista. Mário foi morto com quatro tiros, quando chegava em casa, no bairro Barbuda. A pistola vai ser submetida a exame de balística com um projétil intacto retirado do corpo do jornalista.

O sargento trabalha como segurança da família do prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos. Até um ano atrás, acompanhava a deputada estadual Andréia Zito, filha do prefeito, e atualmente era responsável pela proteção à primeira-dama de Belford Roxo, Maristela Corrêa Nazário, mulher do prefeito Waldir Zito.

Manoel foi reconhecido por fotografias como o assassino do jornalista por duas testemunhas, cujas identidades estão sendo mantidas em sigilo. Ele foi identificado depois que o delegado Ricardo Hallack recebeu denúncias anônimas que o apontavam como o pistoleiro que matou o jornalista. O sargento está com prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça.

Ao convocar os jornalistas ontem, na sede da Secretaria de Segurança Pública, o chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, afirmou que não há, por enquanto, qualquer indício contra o prefeito de Caxias, mas que a polícia está investigando se Zito está envolvido no crime. Álvaro Lins deu a entrevista junto com o delegado Ricardo Hallack, titular da 65ª DP (Magé), responsável pelo inquérito.

O prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos, confirmou que Manoel Daniel de Abreu Filho foi segurança de sua filha, a deputada estadual Andreia Zito (PMDB), até o ano de 1999. Segundo Zito, o militar deixou de trabalhar com Andreia para ficar mais perto de casa.

Núbia e Zito voltam a trocar acusações”

O prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos, defendeu-se da acusação de participação na morte de Mario Almeida Coelho Filho. dizendo que ela é uma invenção da deputada estadual Núbia Cozzolino (PTB). “Isso é coisa da Núbia, aquela desmiolada, despreparada, que acha que o estado é Magé. Não podemos tirar a liberdade de ninguém com irresponsabilidade.”

Zito afirmou que a polícia não pode se deixar levar pelo andar da carruagem. “Não tenho que atacar nem defender ninguém. Percebo que o interesse é me atingir. Mas isso só me fortalece, porque eu tenho certeza que as pessoas sérias não compactuam com isso”, ressaltou o prefeito Zito.

A deputada Núbia Cozzolino voltou a afirmar que o prefeito de Caxias está envolvido com a morte de Mario. “Não tenho nenhuma dúvida”, apontou. Segundo ela, todas as pessoas do seu gabinete estão pedindo para ser exoneradas, com medo de represálias. “Estou sem advogado, sem chefe de gabinete porque as pessoas não querem ficar perto de mim, têm medo de morrer. Fui defender um homem do povo e estou pagando caro por isso”, disse.

Núbia afirmou também que não tem medo de ser processada por Zito. “Para mim, vai ser uma honra porque não sou como ele. Eu não tenho nenhum processo”, desafiou.

Jornalista fazia oposição à família

Dono do jornal A Verdade, Mario Almeida Coelho Filho fazia oposição à prefeita de Magé, Narriman Zito, mulher de Zito, e promovia campanha contra o prefeito de Caxias. O jornalista chegou a transcrever discurso, na Assembléia Legislativa, da deputada Núbia Cozzolino (PTB) e o transformou em reportagem insinuando que a mulher de Zito tinha um caso com um de seus seguranças. A publicação motivou uma ação de calúnia e difamação.

Quando Mario foi morto, a polícia encontrou no carro dele um documento do Ministério Público com os procedimentos e inquéritos contra o prefeito Zito, além de representações da vítima com pedidos de informações sobre as empresas que forneciam material esco