São Paulo recebe ‘A Porta do Inferno’

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Publicado terça-feira, 25 de setembro de 2001 as 19:41, por: cdb

A Porta do Inferno, idealizada pelo escultor Auguste Rodin, foi inspirada no inferno de Dante, de A Divina Comédia. O Pensador – em menor proporção – no centro da Porta, representa a figura universal rodeada por uma multidão de sombras. O trabalho reúne cerca de 120 pequenas esculturas, cuja maioria ganhou vida independente depois que Rodin o finalizou.

Encontrada na versão bronze nos jardins do Museu Rodin, em Paris, a Porta e outras 42 esculturas, além de 25 desenhos e 10 fotografias, desembarcaram no fim de semana na Pinacoteca do Estado (Praça da Luz, 2, tel. 229-9844) e poderão ser visitadas do dia 7 de outubro até 9 de dezembro na exposição Rodin – A Porta do Inferno.

Depois de mais de 12 horas de viagem de avião, as caixas que acomodaram os fragmentos de A Porta do Inferno foram abertas hoje e suas partes, unidas no Espaço Mário Covas da Pinacoteca. O que se verá na mostra é uma versão em gesso fundido da obra, cedida pelo Museu Rodin.

Essa versão foi criada a partir da original em gesso, parte integrante do acervo do Museu D´Orsay, em Paris, e serviu de base para a fundição de sete versões em bronze, espalhadas por museus de outros países, como Coréia, Japão e Estados Unidos. Somente mais um modelo em bronze poderá ser reproduzido.

“Rodin trabalhou durante dez anos na Porta (ele recebeu a encomenda em 1880) e fez uma série de mudanças ao longo desse período”, descreveu a conservadora-geral de esculturas no Museu Rodin, Antoinette Le Normand-Romain, que acompanhava atenta à abertura das caixas. “A obra tem influência de Michelângelo e do Julgamento Final.”

De acordo com a coordenadora da mostra Rodin – A Porta do Inferno, Ana Helena Lefévre, a exposição acolherá peças inéditas do escultor para o público brasileiro. “São esculturas em gesso, mármore e terra cota, que nunca vieram ao Brasil, por serem frágeis”, comentou. “Mas por causa da sensibilidade do diretor do Museu Rodin (Jacques Vilain), elas puderam ser trazidas.”

A produtiva parceria entre Pinacoteca do Estado e Museu Rodin iniciou-se em 1995. Desde aquela época, a Pinacoteca promove mostras temáticas de Rodin, além de manter em seu acervo nove esculturas dele.

O diretor da Pinacoteca e autor do projeto, Emanoel Araújo, adiantou que uma décima obra será agregada a esse acervo. “A exposição significa a relação de maturidade entre os museus”, completou. “Nós nos tornamos uma instituição que dialoga com outras instituições brasileiras.”