São Paulo nega armação de resultado

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Publicado domingo, 23 de fevereiro de 2003 as 21:48, por: cdb

Não houve comemoração na classificação do São Paulo no Morumbi. Torcedores vaiaram e gritavam “Marmelada”, “Marmelada!”. Em vez de festa, o presidente Marcelo Portugal Gouvêa, o técnico Oswaldo de Oliveira e os jogadores tentavam explicar o empate por 2 a 2 com o Santo André. O time vencia por dois gols de diferença e permitiu o empate. O resultado fez com que o adversário nas quartas-de-final do Campeonato Paulista fosse o próprio Santo André. Empatando a partida, deixou de enfrentar o Palmeiras e ainda acabou eliminando o Santos.

“Não houve marmelada! O São Paulo buscava a classificação e conseguiu. É isso que importa. Seguimos no campeonato. Se houvesse marmelada, o time não teria feito dois gols e ainda acertado a trave do Santo André. Não vou dar atenção à choradeira de derrotados. Nós do São Paulo fazemos o que é melhor para nós e ponto final. O Santos que se classificasse por seus méritos”, disse o presidente Marcelo Portugal Gouvêa.

“Não admito que questionem a honestidade de ninguém aqui no São Paulo. Nós somos profissionais. O São Paulo procurou vencer do início ao fim da partida. Entramos em campo sem três titulares absolutos (Kaká, Maldonado e Jean) e mesmo assim, conseguimos abrir dois gols de vantagem. Depois tive de tirar o Luís Fabiano porque sentia dores na coxa esquerda que poderiam afastá-lo da próxima partida decisiva. Exijo respeito pelo trabalho que estamos fazendo. Não admito qualquer tipo de desconfiança”, desabafou o técnico Oswaldo de Oliveira. “O Leão me conhece e sabe que tenho dignidade. Não acredito que possa duvidar da nossa honestidade. Quisemos vencer de todas as maneiras. Não conseguimos.”

Dos jogadores, o goleiro Rogério Ceni era dos mais revoltados com os gritos da torcida. Não se conformava com perguntas estranhando o comportamento do São Paulo em campo. “Nem ousem falar de marmelada. Aqui no São Paulo há honestidade. Antes de entrarmos, o Oswaldo deixou claro: ‘Não importa o próximo adversário, quero que vençam o Santo André’. E todos viram luta do início ao fim. Depois do empate, o Santo André se fechou e dificultou nossos ataques. Eles estavam conformados com o empate. Eram eles, não nós.”

Para o goleiro, a torcida está revoltada pela derrota diante do São Raimundo, pela Copa do Brasil, e aproveitou o resultado com o Santo André para cobrar. Mas o que deve fazer, segundo ele, é encher o Morumbi com 60 mil pessoas no jogo de volta contra o São Raimundo. “No Paulista, passamos à próxima fase e é isso que importa”, afirmou Rogério Ceni.

Luís Fabiano mostrava ironia. “O resultado foi bom demais. O Santo André não tem jogadores bobos. Não é nossa culpa se o Santos está eliminado. Deveria ganhar seus jogos, não ficar dependendo dos outros. Trabalhamos para nós e não para os outros. Temos de pensar no que for melhor para São Paulo.”

A grande preocupação no Morumbi é com Kaká. O meia sentiu fortes dores na coxa direita e não pôde jogar neste domingo. Fará tratamento intensivo para ser liberado para a partida das quartas-de-final contra o próprio Santo André, no Morumbi. Jean e Maldonado, livres de suspensão, estão confirmados na equipe.

A vantagem do empate é do São Paulo. “É uma vantagem significativa”, admitiu o técnico Oswaldo. Na saída do time do Morumbi, neste domingo, comentava-se que o jogo deverá ser na quinta-feira, porque o Corinthians irá enfrentar a União Barbarense na quarta, no Pacaembu.