Samba do Rio perde a elegância de Walter Alfaiate

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 1 de março de 2010 as 10:17, por: cdb

Em 79 anos de vida e 50 de carreira, foram mais de 200 sambas compostos. Walter Nunes de Abreu, o Walter Alfaiate, morreu neste sábado, com falência múltipla dos órgãos. Internado há cerca de dois meses, o compositor da Velha Guarda da Portela sofria de enfisema pulmonar, ineficiência cardíaca, arritmia, insuficiência renal, gastrite e esofagite. O corpo foi velado na sede do Botafogo, com as bandeiras da Portela, da escola Foliões de Botafogo e do seu time do coração, além da sua marca registrada, o chapéu panamá.

Walter nasceu em Botafogo – filho de uma carnavalesca – e foi pelos bares do bairro carioca que ele começou sua produção, criando músicas para blocos de Carnaval e integrando rodas de samba. Nos anos 1970, Walter viu sua obra fazer sucesso, quando Paulinho da Viola gravou Coração oprimido, A.M.O.R. Amor e Cuidado, Teu orgulho te mata. Além de Paulinho, João Nogueira, Elza Soares e Cristina Buarque, entre outros artistas, regravaram canções de Walter. Foi na década de 1980, porém, que ele entrou para o time de compositores da Portela, onde se consagrou.

Além da carreira no samba, Walter exercia a profissão de alfaiate. Aos 14 anos, ele aprendeu a costurar e foi entre agulhas e tecidos que ele encontrou a estabilidade que precisava para criar os três filhos. Para ele, a vida de músico era muito incerta. O gosto pelas vestes e a elegância com que aparecia em suas apresentações acabaram tornando-se sua marca registrada, ao lado do tradicional chapéu panamá.

Walter Alfaiate nunca teve o talento reconhecido pelas grandes gravadoras, apesar de cultuado pelos sambistas da nova geração. Sua discografia é composta por apenas três discos, com o primeiro, Olha aí, lançado apenas em 1998, com produção de Aldir Blanc e Marco Aurélio.