Salvador sofre com temporal

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Publicado quarta-feira, 5 de novembro de 2003 as 03:21, por: cdb

Ventos fortes de até 72km/h destelharam cerca de 20 casas e as estruturas atingiram várias outras. Dois postos policiais no bairro de Sete Portas tiveram a cobertura parcialmente arrancada e uma quadra de esportes de uma escola em Patamares foi praticamente destruída. Não houve vítimas, além de prejuízos materiais.
 
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a causa da mudança repentina do clima foi provocado pela frente fria vinda do Sul, que alcançou a capital baiana na última segunda-feira, por volta 20h. O tempo deve continuar frio e chuvoso pelo menos até as próximas 48 horas. Não está descartada a possibilidade de novas ventanias.

O choque térmico foi responsável pelos relâmpagos, chuvas e ventos forte, além da queda de dois graus na temperatura média.
 
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a velocidade média dos ventos em Salvador varia entre 10km/h e 12km/h, mas na noite de anteontem, chegou a 72km/h. A frente está passando pela Bahia e atinge praticamente todas as regiões do estado.
 
O índice de chuvas mais significativo foi registrado em Remanso, no estremo norte do estado. Chove no oeste, norte, centro, litoral e no sul. Segundo os meteorologistas, a frente fria que veio do Sul em direção ao Norte sobe com velocidade rápida e logo deverá atingir Pernambuco.

Das 25 ocorrências registradas na segunda-feira, 12 foram relacionadas a destelhamentos. Ontem, só até às 9h, nove outros destelhamentos foram comunicados à Defesa Civil de Salvador.
 
Algumas famílias tiveram de lutar contra a chuva ainda à noite para recolocar telhas no lugar e evitar que as casas fossem alagadas pela chuva. Os imóveis que tiveram o teto danificado pelos ventos ficam no bairro Nova Brasília de Itapuã, Macúbas, São Caetano, Fazenda Grande do Retiro, Arenoso, Costa Azul, Boca do Rio, São Cristóvão, Cabula e Periperi.

Alguns pontos da cidade ficaram ser energia elétrica e telefone. Os ventos arrancaram telhas e toda a armação de madeira da casa de Antônio Cerrado, na Rua Dr. Pedro de Araújo, no Retiro. José Bastos Sales, 41, mostra que na casa de número 80, parte do telhado foi destruída e pedaços de vigas caíram no meio da sala.
 
– A gente estava dormindo e acordou com o susto – conta Bastos.

Na casa vizinha (nº 78), uma senhora de prenome Naildes, que, segundo moradores, está acompanhando o marido internado no hospital, deve ter perdido parte dos móveis e pertences.
 
– O telhado caiu bem no quarto dela e ela nem sabe do ocorrido – informa Noêmia de Santana, 60.
Antônio Carlos, da casa de frente, teve que desembolsar R$200 para refazer o estrago no telhado da sua sala. Os destroços do telhado arrancado ainda atingiu a rede de fiação. Os moradores da Rua Afonso ficaram sem energia elétrica e telefone até terça-feira, meio-dia.

No fim de linha do bairro de Sete de Abril, dona Floripes de Andrade, 74 anos, disse que teve de correr com os filhos para dentro do banheiro, que é coberto de laje, quando sentiu o telhado sendo bombardeado pelo telhado da casa ao lado, que pertence à própria família. Ela conta que o prédio foi construído irregularmente e que a Codesal o condenou há dois anos.

Próximo ao Largo do Papagaio, na Ribeira, na Rua do Soares, nº 6, parte da parede da casa nº 4 despencou por sobre o teto da cozinha de Cilmara Azevedo Andrade, levando toda a estrutura abaixo.
 
– Na hora estavam em casa meu marido e meu filho – conta a estudante universitária.

Ela mostra a situação lamentável em que ficaram os armários, o microondas e outros eletrodomésticos. Ela esperava a visita dos técnicos da Codesal para verificar a possibilidade de novos desabamentos.