‘Saddam Hussein só vai atacar se ameaçado’, diz CIA

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Publicado quinta-feira, 10 de outubro de 2002 as 00:34, por: cdb

A CIA, o serviço de Inteligência americano, afirmou ser baixa a possibilidade de o presidente iraquiano Saddam Hussein usar armas químicas ou biológicas contra os Estados Unidos a curto prazo.

Em uma carta enviada para a Comissão de Inteligência do Senado americano, cujo conteúdo foi tornado público nesta quarta-feira, a CIA diz que essa possibilidade será “bem alta” se o Iraque for atacado.

O diretor da agência, George Tenet, negou a existência de alguma inconsistência entre a carta e o discurso feito por George W. Bush na segunda-feira, em que o presidente afirmou que o Iraque representa uma ameaça por causa de suas armas de destruição em massa.

As informações dadas pela CIA vêm à tona no momento em que o Congresso americano discute a aprovação de uma autorização para que o governo use suas forças militares contra o Iraque.

Sinais trocados

Segundo a carta da CIA, Saddam Hussein pode ajudar militantes islâmicos a usar armas de destruição em massa contra os Estados Unidos se ele “enxergar isso como sua última chance de se vingar”.

O analista da BBC Roger Hardy afirma que a carta oferece base tanto para os que apóiam como para os que rejeitam a política do governo Bush.

Por outro lado, segundo Hardy, o documento parece sugerir que um ataque ao Iraque pode provocar a única coisa que Bush afirma estar tentando evitar: o uso de armas químicas e biológicas por Saddam Hussein.

A carta afirma ainda que a CIA tem “informações seguras” de uma relação de não-agressão recíproca, há mais de dez anos, entre o Iraque e a rede Al-Qaeda.

Aziz

Ainda nesta quarta-feira, o vice primeiro-ministro do Iraque, Tariq Aziz, afirmou que nenhuma nação árabe escapará ilesa de um possível ataque americano ao país.

“Nenhum Estado árabe está livre das ameaças, mesmo aqueles que apoiarem os Estados Unidos em uma agressão ao Iraque”, disse Aziz a jornalistas durante uma conferência em Damasco, na Síria, que reúne intelectuais e políticos árabes contrários a uma ofensiva americana.

“Não pensem que esses países estão seguros só por fazer discursos simpáticos e oferecer suas bases militares aos americanos”, afirmou Aziz.

“Quando esse crime terminar, eles terão que se submeter aos Estados Unidos e ao sionismo.”

O iraquiano fez ainda um alerta à Jordânia, dizendo que Israel deve mandar para ali os palestinos que o país poderia expulsar durante “o possível caos no Iraque”.

Na terça-feira, representantes de Líbano, Jordânia, Egito e dos países árabes do norte da África, criticaram as ameaças americanas e pediram o fim das sanções comerciais ao Iraque.

Grã-Bretanha

Também nesta quarta-feira, o secretário do Exterior da Grã-Bretanha, Jack Straw, deve se encontrar com o presidente do Irã, Mohammed Khatami, e com outras autoridades do país, como parte de uma visita diplomática aos países do Oriente Médio para discutir a crise no Iraque.

Straw já esteve no Egito, na Jordânia e no Kuwait.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã, Jim Muir, a missão do secretário no Irã tem como principal objetivo manter as relações entre o país e a Grã-Bretanha, apesar de o Irã ter sido citado como membro de um “eixo do mal” por George W. Bush, em janeiro.

Para o correspondente, até agora, os sinais informais dados pelo governo iraniano são que o país tem um interesse estratégico em uma mudança de regime no Iraque.

Mas a visita de Straw não é totalmente bem-vinda no Irã – jornais de direita acusaram a Grã-Bretanha de fazer o papel de “garoto de recados” dos Estados Unidos e de defender Israel, que eles chamam de “o mais duro Estado terrorista do Oriente Médio”.