Rússia quer mediar negociações entre Coréia do Norte e EUA

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Publicado quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003 as 15:30, por: cdb

A Rússia está disposta a ajudar a estabelecer um diálogo direto entre Estados Unidos e Coréia do Norte para solucionar a crise na península coreana, afirmou hoje, quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores russo, Igor Ivanov.

“Moscou é favorável a um acerto da situação da Coréia do Norte por meio da negociação. Estamos prontos para ajudar a estabelecer esse diálogo direto entre Pyongyang e Washington”, disse Ivanov, depois de se reunir com seu colega indiano, Jaswant Singh.

O ministro russo afirmou que a crise provocada pela retomada do programa nuclear norte-coreano pode ter apenas uma saída política e pediu às duas partes, Coréia do Norte e EUA, que se sentem na mesa de negociações.

Até agora, a Coréia do Norte rejeitou a mediação de terceiros em seu conflito com os EUA, mas agradeceu o interesse demonstrado por Moscou para amenizar a crise.

A Rússia considerou um passo “perigoso” para a segurança na península coreana a ameaça feita pelos EUA de impor sanções a Pyongyang por intermédio do Conselho de Segurança da ONU, por causa da saída do regime comunista do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

“Se este assunto chegar a ser discutido em uma reunião do Conselho de Segurança, o debate deve ser construtivo e útil e deve conduzir à solução da crise e não a seu agravamento”, declarou ontem o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Yuri Fedótov.

A embaixada norte-coreana em Moscou divulgou pouco antes um comunicado, no qual também estimulava os EUA a “negociações diretas para uma solução pacífica da questão nuclear na península da Coréia”.

A Coréia do Norte ameaçou com uma resposta bélica a imposição de sanções, como propõe Washington.

Pyongyang afirmou que poderia abandonar o Tratado de Armistício com Seul, firmado em 1953 para impor um cessar-fogo com a Coréia do Sul depois de três anos de guerra, após saber que os EUA estavam pensando em impor um bloqueio marítimo e sanções econômicas.

Embora as duas Coréias continuem tecnicamente em guerra desde 1953, já que nenhum tratado de paz foi assinado, a ruptura do Armistício seria o primeiro passo para uma escalada bélica na região.

“o Acordo de Armistício é o único e principal pilar da paz e estabilidade na península coreana”, declarou o porta-voz russo das Relações Exteriores, Alexandr Yakovenko.