Rússia prepara cúpula dos BRICS em meio as críticas do G7

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Publicado terça-feira, 9 de junho de 2015 as 12:26, por: cdb
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O encontro é um da série de eventos preparativos para a cúpula presidencial dos BRICS

A cooperação dentro dos BRICS supre perfeitamente a falta de diálogo por parte do G7 para a Rússia, demonstram as estatísticas.

Na segunda-feira, no fim da cúpula do G7 em Elmau, na Alemanha, o presidente norte-americano, Barack Obama, declarou que a Rússia é a única responsável pelo efeito “devastador” das sanções. Falou das tropas russas na Ucrânia (que ninguém conseguiu enxergar, no entanto) e da economia russa “deteriorada”. Será?

– Os bancos russos ficaram completamente sem acesso para os mercados financeiros internacionais, o setor energético russo está lutando pelos recursos e tecnologias para realizar projetos energéticos complexos, as empresas militares russas perderam o acesso a tecnologias de ponta, a Rússia está em profunda depressão. Portanto, as ações da Rússia na Ucrânia afetam a Rússia e o povo russo – disse Obama.

O presidente dos EUA declarou também que as sanções contra a Rússia irão vigorar “até que o país cumpra os Acordos de Minsk”.

Observadores internacionais desmentem estas palavras. É interessante que o mandatário norte-americano precisamente a milícias independentistas de Donbass e a Rússia, que segundo as palavras de Obama apoia os separatistas, a cumprir os Acordos de Minsk, e não a Ucrânia, que reconheceu ter usado recentemente armamentos proibidos por este documento.

A vice-diretora do Departamento de Informação e Imprensa do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse no seu Facebook que as declarações de Obama “carecem de sentido”:

– Eu não comento o sentido (das declarações), porque não vejo nenhum.

– Pela primeira vez eu vejo um presidente de um grande país que se considera civilizado e, ao mesmo tempo, se vangloria de ter causado um mal a um outro povo sem ter declarado guerra a esse povo. Eu não descarto que isso aconteça por ele não poder lisonjear-se de ter feito algo de bom a alguém – prossegue a responsável.

Zakharova ainda lembrou a recente história dos EUA, destacando a duvidosa legalidade de certas iniciativas desse país:

– E se Obama parte do pretexto de punir a Rússia por ter “violado o direito internacional – ele deveria começar por perseguir o seu próprio Estado não só por violação, mas por deterioração das bases do direito internacional, de forma dolosa e prolongada”.

Além disso, apesar dos supostos “esforços” de Obama, a economia russa mereceu uma avaliação positiva por parte do Banco Mundial (BM) há uma semana. Segundo o instituto o PIB russo irá crescer em 0,7 %  em 2016, enquanto a última previsão feita pelo BM no abril pelo contrário prognosticava uma queda de 0,3% do PIB da Rússia no ano seguinte. Vários economistas internacionais e russos entretanto apontam para uma melhoria considerável da situação econômica do país e do câmbio da moeda nacional russa, o rublo.

A política de isolação da Rússia também não trouxe resultados porque a Rússia neste momento reforça cooperação com os BRICS cuja influência no mundo já pode ser comparada com a do G7. De acordo com os dados oficiais do Fundo Monetário Internacional, os sete países do G7 têm um PIB conjunto de US$ 34,7 trilhões. O dos cinco BRICS é pouco menor, US$ 32,5 trilhões. Mas e se os BRICS não fossem cinco, mas sete? Com esta proporção, iriam ultrapassar definitivamente os “sete grandes” e irão ultrapassar afinal das contas, acredita o chefe do comitê parlamentar russo para Assuntos Internacionais, Aleksei Pushkov. Ele também manifestou que os BRICS são uma dos maiores motores do desenvolvimento mundial, desde que representa 26 %  do território e 46 %  da população do mundo.

Sem falar que quatro dos membros dos BRICS entram na lista das dez maiores economias do mundo. São, respectivamente, a China (1º lugar), a Índia (3º), a Rússia (6º) e o Brasil (7º).

Na segunda-feira, quando terminava o encontro em Elmau, Moscou acolhia o Fórum Parlamentar dos BRICS. O encontro é um da série de eventos preparativos para a cúpula presidencial dos BRICS, que terá lugar em 8 e 9 de julho na cidade de Ufá (Bascortostão). Na semana que vem, ministros da Cultura dos países-membros dos BRICS irão discutir em Moscou os laços culturais entre eles.