Rússia pode abandonar o Protocolo de Quioto

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Publicado domingo, 9 de dezembro de 2012 as 05:04, por: cdb

O Protocolo de Quioto não justificou as expectativas da Rússia. Na 18ª Conferência da ONU sobre a Mudança do Clima foi divulgada a declaração segundo a qual Moscou não assumirá compromissos relativos ao 2º período da vigência do acordo.

Por Daria Manina (*)

Após cinco anos da assinatura do Protocolo, os países signatários acabaram de reduzir o volume da emissão de gases do efeito estufa. Alguns estados até aproveitaram para obter lucros financeiros com a situação. Por que o Protocolo deixa de interessar a Rússia?

A Rússia assinou o acordo de Quioto em março de 1999 e o corroborou ao cabo de cinco anos. As razões disso foram dadas ao conhecimento público por Yuri Israel, diretor do Instituto do Clima Global. “O Protocolo foi ratificado exclusivamente por motivos políticos, e, sobretudo, por causa da necessidade de ingressarmos na OMC. Mais uma coisa: se não o tivéssemos ratificado, o Protocolo de Quioto não teria entrado em vigor devido à quantidade de ‘pontos classificatórios’. Por tais pontos se entendia a emissão de gases por todos os países. Era necessário obter 55% dos pontos, inclusive dos estados da 1ª lista do Protocolo. Isto era impossível de fazer sem a Rússia e os EUA”.

Entretanto, segundo os acordos alcançados em 2005, a Rússia, pela quantidade de emissões, devia manter-se no patamar de 1990, atingido ainda na primeira fase da validade do acordo. Isto trazia grandes benefícios para a Rússia porque o último ano da existência da URSS coincidiu ainda com a altura de processos produtivos intensos. Após o colapso da União Soviética se tornou claro que a Rússia jamais poderia aproximar-se do nível de emissões efetuadas por todas as repúblicas federadas.

Segundo algumas avaliações, nos quadros do Acordo de Quioto a Rússia conseguiu introduzir as tecnologias de eficiência energética e utilizar as fontes de energia renováveis. Um terço dos projetos realizados nos marcos do Protocolo está relacionado com o ramo petrolífero e os programas de utilização e reciclagem de gás. Somente a participação no Protocolo ajudou a resolver estes problemas, avalia Alexander Avertchenkov, consultor do Programa de Desenvolvimento da ONU na Rússia. “As nossas companhias têm de angariar centenas de milhões ou até um bilhão de dólares devido às reduções efetuadas. Por isso, será errado dizer que a Rússia não tirou alguma vantagem do Protocolo. Moscou realizou bem este projeto, tendo contribuído para a solução do problema climático. Também se aproveitou de algumas soluções organizativas e de novas tecnologias. Por isso, a sua atividade nessa vertente pode ser qualificada como positiva em termos econômicos e ecológicos”.

O Japão e o Canadá também se recusam a respeitar os novos compromissos do Protocolo de Quioto a vigorarem no 2º período, ou seja, entre 2013 e 2020. A Rússia anuncia uma pausa até 2020, quando o atual Protocolo será sucedido por outro ato. Isto não quer dizer a Rússia abandona o Acordo, embora lhe sejam tirados certos benefícios do signatário tais como as quotas e a possibilidade de realização e verificação de projetos congêneres. Enquanto isso, o Ministério russo dos Recursos Naturais está elaborando um programa de redução de emissões de gases do efeito estufa para os próximos oito anos.

(*) Jornalista da Voz da Rússia.

Fonte: rádio Voz da Rússia

 

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