Rússia nega acusação dos EUA sobre venda de armas ao Iraque

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Publicado segunda-feira, 24 de março de 2003 as 12:05, por: cdb

Uma importante autoridade russa afirmou nesta segunda-feira que as alegações dos Estados Unidos de que a Rússia vendeu ilegalmente equipamentos militares para o Iraque são “totalmente infundadas”.

Os diretores das duas companhias russas acusadas também negaram qualquer envolvimento.

“Não houve absolutamente nenhuma violação do embargo de armas”, garantiu a autoridade. “Desde outubro passado, Moscou já forneceu ao governo norte-americano, em várias ocasiões, explicações detalhadas sobre o assunto”.

A autoridade sugeriu que poderia haver um motivo oculto para o surgimento de tais acusações.

“Se você me perguntar por que essa notícia apareceu recentemente”, disse, “minha única resposta seria que é para desviar a atenção do público da campanha militar ilegítima dos Estados Unidos contra o Iraque e para desviar a atenção do fato de que essa guerra não está sendo um piquenique”.

Protesto norte-americano
Na véspera, o governo norte-americano havia protestado, junto ao governo russo, diante de informações de que empresas da Rússia teriam vendido ao Iraque equipamentos de visão noturna e para bloqueio de comunicações, além de mísseis antitanque.

A capacidade de lutar na escuridão, com equipamentos de visão noturna, era considerada um dos principais recursos de combate das forças norte-americanas e britânicas.

Também uma interferência séria nas comunicações por satélite poderia prejudicar sensivelmente as operações das forças aliadas.

“Tais equipamentos nas mãos do Iraque podem representar uma ameaça militar direta aos Estados Unidos e às forças da coalizão”, disse a porta-voz do Departamento de Estado Brenda Greenberg.

A porta-voz acrescentou que a questão havia sido levantada “várias vezes” junto ao governo russo, inclusive em contatos de alto nível, particularmente nas duas últimas semanas.

Outro funcionário do Departamento de Estado com conhecimento das discussões mantidas neste sentido entre russos e norte-americanos disse que o Governo Bush estava “enfurecido” com Moscou pelo fato de as autoridades russas não terem bloqueado as vendas, apesar das informações de inteligência recebidas de Washington.

Tais informações incluíam os nomes das empresas, seus endereços, telefones e outros detalhes fundamentais.

A fonte acrescentou que, na sexta-feira, o serviço de inteligência dos Estados Unidos descobriu que empregados de uma das empresas russas — a Aviaconversiaya — estavam ainda em Bagdad ajudando o Iraque a usar o que foi descrito como equipamento eletrônico “altamente sofisiticado” de bloqueio de sinais, capaz de interferir no posicionamnento global das forças de terra dos Estados Unidos e sua Força Aérea.

“As vidas dos pilotos ficam ameaçadas”, disse o funcionário do Departamento de Estado. Por esta razão, o Governo Bush decidiu vazar a história para o jornal The Washington Post.

O governo norte-americano teme que o equipamento nas mãos dos iraquianos” desoriente pilotos e mísseis de cruzeiro”, acrescentou.

Nas últimas semanas, o secretário de Estado norte-americano Colin Powell e a assessora de Segurança Nacional Condoleezza Rice envolveram-se pessoalmente na questão, tentando convencer o governo russo a sustar a atividade dessas empresas.

O embaixador russo nos Estados Unidos, Yuri Ushukav, foi chamado pelo Departamento de Estado para receber a nota de protesto, deixando claro que era “a última chance” dada a Moscou para parar com as vendas.

A comunidade de inteligência dos Estados Unidos acredita que a inteligência Rússia, mais do que outros setores do governo, pode sabotando os esforços feitos até agora contra a venda desses equipamentos.

Os funcionários disseram ainda não estar claro se o governo de Vladimir Putim realmente “não sabia” dessas vendas ou estava penas com negativas “desonestas’.

Ao vazar a história para a imprensa, a Casa Branca “claramente mostra a Rússia que há indignação a esse respeito”.

“Esperamos que os órgãos responsáveis na