Rússia, França, Alemanha e países asiáticos pedem cautela a Bush

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Publicado quarta-feira, 29 de janeiro de 2003 as 16:16, por: cdb

A Rússia reagiu ao discurso do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmando não ver motivos para o uso da força contra o Iraque, o que fez ecoar apelos por cautela, nesta quarta-feira, em outras partes da Europa e na Ásia. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia exortou a comunidade internacional a permitir que os inspetores de armas das Nações Unidas tenham mais tempo para continuar seu trabalho no Iraque.

O encarregado das relações exteriores na União Européia, Javier Solana, declarou que o Conselho de Segurança da ONU deve permanecer como “o centro de gravidade” na crise iraquiana.

Solana elogiou a decisão de Bush, anunciada em seu discurso da noite de terça-feira, de apresentar ao Conselho de Segurança, na próxima semana, dados sobre o Iraque colhidos por serviços norte-americanos de informações.

Ainda na Europa, segundo a correspondente da CNN Sheila MacVicar, ainda persiste uma grande dose de ceticismo.

Pesquisas de opinião pública mostram que a vasta maioria dos europeus se opõe a uma ação militar contra Saddam Hussein, particularmente se esse conflito for levado adiante sem uma resolução adicional da ONU.

Mas Bush tem importantes aliados na Europa, notadamente o governo da Grã-Bretanha, do primeiro-ministro Tony Blair.

Na terça-feira, o secretário britânico das Relações Exteriores, Jack Straw, acusou Saddam Hussein de enganar sistematicamente os inspetores da ONU.

Reações na Ásia
O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, cujo país é o terceiro, depois dos EUA e da Grã-Bretanha, a enviar tropas para a região do Golfo Pérsico, saudou o anúncio de Bush de que mais informações sobre o Iraque seriam apresentadas ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, na próxima semana.

“Isso põe o assunto na mesa do Conselho de Segurança, ao qual pertence essa questão”, declarou.

Mas a primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, foi mais cautelosa.

“O discurso do presidente Bush assinalou que nós vamos ver os EUA intensificando seus esforços de persuasão no Conselho de Segurança da ONU”, declarou, acrescentando que tudo indica que Washington agiria unilateralmente.

Clark disse ainda ser da opinião de muitos países relutariam em seguir com os Estados Unidos até que os inspetores de armas da ONU apresentem uma conclusão definitiva sobre os programas iraquianos para fins militares.

A China, que tem poder de veto no Conselho de Segurança, não divulgou, de imediato, uma reação oficial ao discurso do presidente norte-americano.

No Japão, autoridades governamentais disseram que ainda estão analisando o pronunciamento de Bush, que foi transmitido pela televisão, ao vivo, e também ganhou as manchetes dos grandes jornais vespertinos.

Crise na Península Coreana
Além das preocupações com a questão do Iraque, muito na Ásia manifestaram também temor quanto à retórica de Bush no que se refere à Coréia do Norte.

Em seu discurso, o presidente norte-americano classificou de opressivo o regime norte-coreano, dizendo ainda que os líderes daquele país “deixam seu povo viver no medo e na fome”.

Bush reiterou as acusações de que a Coréia do Norte usaria seu programa nuclear para extrair concessões dos EUA.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coréia do Sul disse que o pronunciamento norte-americano foi contido e equilibrado, e ao mesmo tempo firme.

Comentaristas políticos sul-coreanos disseram que o Japão está dando atenção especial aos apelos de Bush por cooperação internacional para resolver a disputa com a Coréia do Norte, em contraste com sua abordagem mais dura em relação ao Iraque.