Rússia faz homenagem ao aniversário de 50 anos da morte de Stálin

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 5 de março de 2003 as 16:21, por: cdb

A Rússia marcou nesta quarta-feira o 50º aniversário da morte de Josef Stálin, com alguns homenageando o líder soviético e outros, suas vítimas, num país ainda dividido sobre a herança do ditador.

Mais de 3.000 pessoas, lideradas pelo líder do Partido Comunista Gennady Zyuganov, fizeram uma procissão solene até o túmulo de Stálin nas proximidades do muro do Kremlin, na Praça Vermelha. Carregando bandeiras soviéticas, os manifestantes, a maioria idosos, colocaram flores sob o busto de Stálin. Alguns choravam.

Na vizinha Geórgia – onde existe um orgulho generalizado com o filho mais famoso da empobrecida nação – cerca de 400 pessoas, muitas com medalhas da Segunda Guerra Mundial, promoveram uma passeata na cidade natal de Stálin, Gori, até a estátua do ditador, uma das poucas que não foram destruídas por ordem de seu sucessor Nikita Khruschev, que denunciou o culto à personalidade de Stálin.

Por outro lado, a organização de direitos humanos russa Memorial inaugurou uma página na Internet com “As listas de Stálin” – trazendo o nome de cerca de 44.000 pessoas julgadas por delitos políticos por ordens pessoais de Stálin. A grande maioria acabou morta, segundo o Memorial.

Considerado um tirano brutal no Ocidente, pelos expurgos políticos que teriam causado a morte de mais de 10 milhões de pessoas e pela coletivização forçada de terras, Stálin continua sendo admirado na antiga União Soviética – mesmo por muitos não comunistas – por ter liderado o país à vitória na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha nazista e por impulsionar o país para a era industrial.

Numa pesquisa realizada esta semana pelo instituto VTsIOM, 53% dos entrevistados disseram ver o papel de Stálin na história russa como “totalmente positivo” ou “mais positivo do que negativo”. Apenas 33% consideraram que seu papel foi “absolutamente negativo” ou “mais negativo do que positivo”.

Dos 1.600 entrevistados em todo o país, 16% consideraram que outro Stálin chegará ao poder na Rússia, porque “nosso povo nunca poderia viver sem um líder como Stálin, e mais cedo ou mais tarde ele virá para trazer a ordem”.