Rússia deve usar poder de veto na ONU

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Publicado sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003 as 08:34, por: cdb

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, revelou nesta sexta-feira que, caso se faça necessário para “manter a estabilidade mundial”, Moscou estará “preparado” para usar seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas e derrubar uma segunda resolução contra o Iraque.

Estados Unidos, Grã-Bretanha e Espanha propuseram, no início desta semana, uma resolução declarando que o Iraque desperdiçou a última chance de se desarmar.

Caso seja aprovado em votação prevista para meados de março, o documento abriria caminho para uma nova guerra no Golfo Pérsico, à qual Rússia, França e China, que têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, se opõem.

“Vamos analisar qualquer nova resolução que apóie o trabalho dos inspetores de armas”, declarou Ivanov em entrevista coletiva em Pequim, após dois dias de reuniões com autoridades chinesas.

“Mas não vamos apoiar qualquer resolução que autorize, direta ou indiretamente, o uso da força contra o Iraque”, avisou. “Temos o poder do veto. E nós o usaríamos se for para manter a estabilidade mundial”.

O Conselho de Segurança passa por um momento de definição sobre os desdobramentos da Resolução 1441, que permitiu o trabalho dos inspetores de armas da ONU no Iraque.

Rússia e França, assim como a Alemanha, que é membro rotativo do Conselho, defendem a ampliação do período de inspeções e o reforço da equipe de técnicos, dos equipamentos e da capacidade de monitoramento.

Outros membros rotativos vêm apoiando um plano do Canadá, que daria ao Iraque uma lista específica de tarefas a serem cumpridas até 28 de março, como forma de provar o compromisso de Saddam Hussein com o desarmamento.

Na quinta-feira, Ivanov e o ministro do Exterior chinês, Tang Jiaxuan, divulgaram um comunicado explicando que tanto Moscou como Pequim apóiam a implementação total da Resolução 1441, em vez da adoção de uma nova resolução.

“A Rússia não acha necessária a adoção de qualquer nova resolução neste momento”, disse Ivanov. “Os inspetores têm poder e receberam condições adequadas para trabalhar”.

“Temos, hoje, todas as condições necessárias para solucionar este problema por meios políticos”, continuou. “E a comunidade internacional não pode desperdiçar esta chance”.

Ivanov também levantou dúvidas quanto ao argumento dos Estados Unidos para invadir o Iraque.

“Recentemente, a questão concentrou-se menos no desarmamento do Iraque e mais na mudança de regime no país”, disse.

O chanceler russo também lembrou que, agora, os Estados Unidos, na tentativa de obter apoio para a guerra, alegam que a queda de Saddam é uma forma de promover a democracia no Oriente Médio.