Rússia critica ONU por renunciar à presença do Irã na questão Síria

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Publicado terça-feira, 21 de janeiro de 2014 as 07:55, por: cdb
Lavrov nega que retirada do corpo diplomático signifique perda de apoio do líder Assad
Lavrov nega que retirada do corpo diplomático signifique perda de apoio do líder Assad

A Rússia considerou um erro o recuo da Organização das Nações Unidas (ONU) na decisão de convidar o Irã para a Conferência de Paz sobre a Síria, denominada Genebra 2, declarou nesta terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

– É um erro. Sublinhamos sempre que todos os atores externos com influência na situação devem estar representados – disse, quando questionado sobre a decisão do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de retirar o convite que tinha feito ao Irã, para participar a conferência, que começa nesta quarta-feira.

Lavrov criticou as explicações apresentadas por Ban Ki-moon para este recuo.

– Quando o secretário-geral da ONU disse que era obrigado a anular o convite feito ao Irã por este não apoiar os princípios inscritos no comunicado de Genebra 1 [de junho de 2012], esta é, na minha opinião, uma frase bastante retorcida. Aqueles que exigiram a anulação do convite feito ao Irã são os mesmos que afirmam que a aplicação do comunicado de Genebra deve resultar em mudança de regime na Síria – declarou Lavrov.

Os Estados Unidos, Reino Unido e França, que apoiam a saída do presidente sírio, Bashar Al Assad, exigiram que o Irã apoiasse uma transição democrática na Síria para estar presente na conferência.

– É uma interpretação desonesta do que foi acordado em Genebra 1, em junho de 2012. Lamento que toda esta história não tenha reforçado a autoridade da ONU – acrescentou.

A Rússia, fiel aliada do regime de Bashar Al Assad, está na origem, com os Estados Unidos, da proposta de realizar a Conferência de Paz Genebra 2, para tentar encontrar uma solução política para a guerra civil na Síria, que já causou mais de 130 mil mortos e milhões de refugiados e deslocados desde março de 2011.

Irã deplora

Ainda sobre a questão síria, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Javad Zarif, deplorou o recuo da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a participação do Irã na Conferência de Paz Genebra 2, que busca o fim dos conflitos na Síria.

– Nós lamentamos que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon tenha, sob pressão, retirado o convite – disse Zarif.

Menos de 24 horas depois de convidar o Irã, Ban Ki-moon retirou o convite ao país – aliado regional de Damasco, apesar da relutância imediata dos Estados Unidos e dos grupos da oposição sírios. O Irã recusa-se a aceitar um eventual governo de transição na Síria, uma das posições apoiadas durante a primeira reunião internacional sobre o conflito na região, em 2012.

– Eu deixei bem claro durante os vários telefonemas com o secretário-geral das Nações Unidas que o Irã não aceita pré-condições para estar presente nas conversações. É lamentável que Ban Ki-moon não tenha coragem de informar os motivos reais que o levaram à retirada do convite”, acrescentou o chefe da diplomacia iraniana, lembrando que o “Irã não tinha sido inicialmente aceito – disse Zarif.