Rumsfeld procurou acalmar iraquianos em visita à Bagdá

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Publicado quinta-feira, 1 de maio de 2003 as 00:08, por: cdb

Seis semanas depois do primeiro ataque aéreo que teve como alvo Saddam Hussein, o secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld foi para a capital do Iraque, nesta quarta-feira, examinar os resultados da guerra cujos passos, escopo e objetivos ele fiscalizou com medidas exatas.

Rumsfeld tornou-se o mais importante oficial americano a visitar o Iraque desde o fim das principais operações de combate, passando seis horas em Basra e Bagdá em um dia que foi o ponto máximo da viagem de uma semana ao Golfo Pérsico.

Uma vez que Rumsfeld desfez a sensação de que estava cedendo aos desejos em um tour de vitória, ele se alegrou claramente, em homenagem aos heróis de batalha do exército e da marinha em um dos palácios de Saddam, fazendo brincadeiras com várias centenas de soldados, e encontrando-se com oficiais americanos e iraquianos que estão lutando para restaurar os sistemas de água, energia e outros serviços essenciais na cidade de 4,5 milhões de habitantes.

Para o povo do Iraque, Rumsfeld buscou conduzir uma mensagem de segurança. “Deixe-me ser claro, o Iraque pertence a vocês”, disse ele em uma mensagem gravada para ser transmitida na região de Bagdá por meio de uma emissora de rádio militar. “A coalizão não tem a intenção de ser dona do Iraque, nem de governá-lo”.

Em troca, Rumsfeld pediu que os iraquianos continuassem a dar pistas aos militares sobre a localização das pessoas do governo procuradas pelos EUA e de combatentes da Síria, Sudão e Afeganistão que comandantes disseram que ainda esperam por soldados americanos.

A Bagdá que Rumsfeld visitou hoje ainda é um lugar muito perigoso. Mais de 20 mil soldados americanos estão em posição de batalha em 200 locais da cidade. Há um ou dois tiroteios aleatórios por dia, disse um oficial, e uma tentativa de assalto a banco dia sim, dia não.

“Levamos 40 carregamentos de armas por dia para fora da cidade”, disse o major-general Buford C. Blount III, cuja Terceira Divisão de Infantaria patrulha Bagdá. “Mas a segurança está melhorando a cada dia”.

Rumsfeld e seus principais assessores viajaram para o Aeroporto Internacional de Bagdá em um MC-130 Combat Talon, avião de transporte normalmente usado para infiltrar comandos em missões secretas. O avião voou pelo menos 15 minutos a apenas 150 metros do chão para demover mísseis. O secretário usou vestes de artilharia anti-aérea quando seu cortejo parou de ponto em ponto.

Enquanto a administração Bush prepara-se para declarar um fim formal para o combate aqui e deslocar oficialmente as operações de estabilidade e reconstrução, as notícias no solo são confusas.

Em visita a uma usina de energia no sudeste de Bagdá, Rumsfeld soube que quase metade da cidade agora tem eletricidade novamente, e que os engenheiros iraquianos estão voltando ao trabalho. Mas a antiga rede elétrica é frágil e tende a colapsos.

Dois terços dos habitantes da cidade têm água potável, disseram oficiais americanos. Mas o que os melhores engenheiros militares podem fazer no momento, com um sistema de esgoto quebrado, é uma sonda direto para o rio Tigre, onde há menos riscos para saúde do que voltar para os bairros residenciais.

“É muito cedo para dizer como estamos indo”, disse Faris Alaasa, diretor-geral do sistema de água e esgoto de Bagdá, e um dos poucos civis iraquianos que falaram com o secretário nesta quarta-feira. “Temos muito a fazer”.

Rumsfeld recebeu um relatório otimista do escolhido para liderar o Escritório de Reconstrução e Assistência Humanitária do Pentágono, o tenente-general reformado, Jay Garner.

O general Garner brigou com repórteres por falarem mais das deficiências do que dos sucessos dos esforços feitos até agora pelos soldados e pelas organizações de auxílio para restaurar a ordem civil e os serviços no Iraque. “Devíamos estar batendo no peito todos os dias”, afirmou o general Garner, “dizendo, ‘Somos americanos’, e sorrindo”.