Rosinha quer Forças Armadas nas ruas do Rio após o carnaval

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Publicado terça-feira, 4 de março de 2003 as 00:07, por: cdb

A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus (PSB), pretende pedir ao governo federal que as Forças Armadas sejam mantidas no patrulhamento das ruas do Estado mesmo depois do fim da Operação Guanabara, iniciada no sábado e prevista para durar apenas até o fim do carnaval.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Rio, Josias Quintal, a cúpula do Estado vai se reunir após o carnaval para analisar a eficiência do trabalho em conjunto das Forças Armadas com as polícias estaduais. Após a avaliação, Rosinha deve tentar marcar audiência com os ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e da Defesa, José Viegas, para solicitar formalmente a prorrogação da presença ostensiva de militares nas ruas do Estado, especialmente de vias expressas e áreas estratégicas da capital.

O pedido não deve fixar nenhum prazo de permanência das tropas federais no patrulhamento. A decisão caberá integralmente ao governo federal, que atendeu ao pedido emergencial de Rosinha, autorizando a atuação das Forças Armadas e transferindo para o presídio de Presidente Bernardes o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Coronel reformado da PM fluminense, o secretário de Segurança Pública defende desde o início de janeiro o uso de tropas do Exército, Marinha e Aeronáutica no patrulhamento ostensivo de locais críticos e no apoio a ações das polícias militar e civil. A insistência aumentou após os incidentes da última semana, quando bandos de criminosos promoveram uma onda de terror em diversos pontos da cidade e da Região Metropolitana, incendiando ônibus, explodindo bombas caseiras e fazendo assaltos. Duas pessoas morreram, Aury Canto, de 70 anos – queimada, em Botafogo – e o tenente Érico Petzold, de 33 anos, do Corpo de Fuzileiros Navais, da Marinha – assassinado na Avenida Brasil.

Uma reunião de emergência no Rio entre Rosinha, o chefe do Gabinete Civil da Presidência, José Dirceu, e Thomaz Bastos definiu uma série de medidas a serem adotadas, entre as quais a realização da Operação Guanabara. O governo federal, no entanto, é contrário à atuação permanente das Forças Armadas no combate à criminalidade urbana. Os ministros da Justiça e da Defesa já se opuseram publicamente à idéia.