Rosangela assume governo do Rio com duras críticas ao PT

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Publicado quarta-feira, 1 de janeiro de 2003 as 20:11, por: cdb

A leveza da seda rosa no vestido da governadora do Estado do Rio, Rosângela Rosinha Garotinho Barros Assed Matheus, contrastou com a dureza do seu discurso de posse, na solenidade que reuniu, ontem pela manhã, autoridades civis, militares e eclesiáticas na Assembléia Legislativa do Rio. Diferente do sorriso, ainda que formal, com que recebeu a ex-governadora Benedita da Silva, momentos antes no saguão principal – durante a rápida e discreta passagem do cargo -, no parlatório do Plenário Barbosa Lima Sobrinho as primeiras palavras deram o tom oposicionista que deverá balizar o relacionamento entre os poderes executivos estadual e federal, até as próximas eleições.

Rosinha criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela escolha do presidente da Petrobras e prepara o primeiro ato público de protesto no lançamento da campanha A refinaria é nossa, marcado para a próxima segunda-feira. Durante recente encontro com o presidente Lula, Rosinha deixou claro que não está satisfeita com a possível nomeação do senador petista José Eduardo de Barros Dutra, de Sergipe, para a presidência da Petrobras.

– Ele já sabe, inclusive, que eu lamento que o presidente da Petrobras não seja do Rio. Não indicamos nenhum nome. Sugerimos que indicasse alguém a critério dele, mas que fosse do Rio, até porque nós temos aqui 80% da produção de petróleo e porque aqui ele teve a votação mais expressiva entre todos os Estados. Lamentei porque já sabia dessa indicação anteriormente e já comuniquei que, dia 6, estarei fazendo meu primeiro ato público, que é a luta pela refinaria do Norte Fluminense – disse a governadora.

A determinação de partir para o confronto com o governo federal também já foi comunicada por Rosinha ao presidente da República.

– Disse a ele que fui eleita para defender o meu Estado e que ele não encarasse isso como oposição. Mas vamos colocar esta campanha na rua e dar o grito do Estado do Rio de Janeiro porque, se o petróleo é nosso, a refinaria também será – advertiu.

Ainda no plano federal, Rosinha espera que as diferenças pessoais não interfiram na condução dos assuntos de governo.

– Não faço oposição por fazer. Tenho princípios e ideal. Espero que, enquanto instituição, as diferenças pessoais possam estar superadas. Da mesma forma que o povo do Estado do Rio espera que eu seja governadora de todos, os governadores do Brasil inteiro esperam que Lula seja o presidente de todos. A única coisa que eu pedi a ele é para que não discrimine o Rio da forma como está sendo discriminado – afirmou.

Com a ministra da Ação Social, Benedita da Silva, com quem posou para fotos e trocou beijinhos, o tom do discurso foi ainda mais agressivo.

– Lamentavelmente, durante nove meses, quando o então governador Garotinho se afastou do cargo para concorrer à Presidência da República, o governo interino fracassou. Houve piora na qualidade da comida de alguns restaurantes populares, jovens ficaram desamparados, a segurança pública perdeu o controle. O cheque-cidadão não é entregue há três meses às famílias carentes. O Estado parou, faliu – disse Rosinha.

De posse do mandato que a manterá até 1º de janeiro de 2007 no Palácio Guanabara, Rosinha denunciou “uma moratória sigilosa”, decretada por sua antecessora.

– Encontramos o Estado com R$ 20 milhões em caixa para pagar uma folha de R$ 665 milhões, referentes ao mês de dezembro, o que seria uma obrigação da administração que passou. Mais de R$ 300 milhões do serviço da dívida com a União não foram pagos. Este é hoje o quadro em que encontramos o governo. Durante a transição levantamos estes dados. Mas vamos nos dedicar para pagar, agora em janeiro, para pagar a folha de dezembro dos funcionário – garantiu.

O 13º salário do funcionalismo, no entanto, não será pago integralmente e sim parcelado. A administração que assume pretende fazer “alguns ajustes”, disse Rosinha, para ver se consegue saldar a dívida com o funcionalismo.

– Ainda vamos ver de que forma vamos parcela