Romano Prodi renuncia após perder voto de confiança

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Publicado quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 as 20:29, por: cdb

O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, apresentou na quinta-feira sua renúncia ao cargo, depois de ter perdido no Senado um voto de confiança crucial para a continuidade de seu governo de centro-esquerda.

Com 161 votos contra, 156 a favor e uma abstenção, o Senado decretou a queda do conturbado governo de Prodi, obrigado a pedir ao Congresso um voto de confiança outras 32 vezes desde que chegou ao poder, em maio de 2006.

O ex-presidente da Comissão Européia, que já teve um mandato como primeiro-ministro abreviado em 1998, nem ficou no Senado até o final para escutar o resultado da votação, aplaudido e festejado pelos congressistas de centro-direita.

Os mais entusiasmados foram os senadores Domenico Gramazio e Nino Strano, da Aliança Nacional, que abriram duas garrafas de champanhe para celebrar.

Prodi apresentou sua renúncia ao presidente da República, Giorgio Napolitano, que poderá agora, entre outras opções, convocar eleições antecipadas ou formar um governo interino para reformar as leis eleitorais italianas, consideradas as responsáveis pela instabilidade política do país.

Discurso

No discurso que fez horas antes da votação, o primeiro-ministro prometeu reformas institucionais e algumas mudanças na equipe de governo.

As promessas, no entanto, não foram suficientes para comover a maioria dos senadores.
Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro e principal líder da oposição, afirmou logo depois da votação, que “a única alternativa para o país é a convocação de eleições antecipadas”, excluindo qualquer hipótese de manobra para manter a centro-esquerda no poder.

Já Walter Veltroni, prefeito de Roma e líder do Partido Democrático, disse justamente o contrário. De acordo com ele, “as eleições antecipadas levariam o país a uma situação de crise dramática”.

Em uma nota, Veltroni disse confiar na sabedoria do presidente Napolitano para buscar uma solução ao problema.

A crise do governo de centro-esquerda começou na semana passada com a confirmação da renúncia do ministro da Justiça, Clemente Mastella – supostamente envolvido em corrupção – e a retirada do apoio do seu partido, o Udeur, à coalizão governante, deixando o premiê sem maioria no Senado.