Roberto Lavagna vem ao Brasil discutir fortalecimento do Mercosul

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Publicado quarta-feira, 7 de maio de 2003 as 18:02, por: cdb

Em plena transição, entre um governo que termina dentro de 18 dias e outro que ainda não foi eleito, a Argentina está avançando rapidamente no processo de integração com o Brasil, seu principal sócio no Mercosul.

Nesta quarta-feira, horas antes de embarcar para o Brasil, o ministro de Economia da Argentina, Roberto Lavagna, confirmou que os dois países estão estudando a criação de uma terceira moeda, além do peso argentino e do real brasileiro.

A nova moeda, explicou, seria utilizada no intercâmbio comercial entre os dois países e no turismo.

O objetivo dessa moeda seria evitar o uso de dólares, por parte de dois países cujas economias dependem de crédito externo.

Lavagna acompanhou o candidato do governo às eleições presidenciais de 18 de maio, Néstor Kirchner, que se encontrará na próxima quinta-feira com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Outra iniciativa, para fomentar o comércio bilateral, foi anunciada pelo vice-chanceler argentino, Martin Redrado.

Na próxima semana, uma missão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) brasileiro visitará Buenos Aires para discutir o financiamento das exportações argentinas.

Desde dezembro de 2001, quando confiscou os depósitos bancários, decretou a moratória da dívida externa e desvalorizou o peso, a Argentina não tem acesso a crédito externo. Um empréstimo do BNDES seria fundamental para fomentar seu comércio.

Em entrevista, Redrado disse que o empréstimo será de “até US$ 1 bilhão” e servirá para financiar as exportações argentinas para o Brasil e para outros países, além de obras de infra-estrutura.

“O empréstimo será concedido rapidamente”, assegurou Redrado, ao explicar que o BNDES não terá que modificar seu estatuto para financiar as exportações argentinas.

– Em vez de abrir uma nova linha de crédito, que iria requerer uma mudança em seu estatuto, o BNDES participará da criação de um fundo que terá até US$ 1 bilhão -, disse Redrado.

O fundo também terá recursos da Corporación Andina de Fomento.

Esses anúncios beneficiam Kirchner, que no próximo dia 18 de maio disputará os votos dos argentinos com outro candidato do Partido Justicialista ou Peronista (PJ), o ex-presidente Carlos Menem.

Na campanha, Kirchner sempre defendeu o fortalecimento do Mercosul. Apesar de dar importância à integração regional, Menem prioriza as relações da Argentina com os Estados Unidos.