Risco da América Latina é o pior dos últimos cinco anos

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Publicado quarta-feira, 31 de julho de 2002 as 19:47, por: cdb

A avaliação de risco para investimentos na América Latina é a pior desde 1997, segundo levantamento da Economist Intelligence Unit (EIU), que pertence ao mesmo grupo da revista The Economist. Em uma escala de risco crescente que varia de 0 a 100, o grupo de 21 países analisados recebeu avaliação 56. Isso significa que quem compra papéis da dívida do governo dessas nações corre maior risco de não ser pago.

Apenas os países africanos oferecem mais riscos para os investidores, de acordo com a análise das seis regiões pesquisadas pela EIU.

“Entre os principais motivos para a piora do risco em 2002 estão a desaceleração da economia mundial e o aumento da aversão ao risco dos investidores”, diz o analista da EIU John Bowler.

Dependência

Bowler afirma que a região nunca se recuperou completamente da crise da Ásia, que começou em 1997.

“Na década de 90, os países da região se apoiaram muito no capital internacional para sustentar seus investimentos e assim se tornaram mais vulneráveis aos choques externos”, diz o analista.

A crise asiática expôs essa vulnerabilidade e abalou a economia de vários países latino-americanos.

Ao contrário da Rússia, que viu os preços do petróleo se recuparar, ou da Ásia, que ampliou suas exportações, boa parte dos países da América Latina teve o valor de suas commodities em queda nos últimos anos.

Exceção

Dos 21 países analisados, apenas o Chile e Trinidad Tobago têm análises mais positivas – um B, pelo ranking da organização.

Os dois países também figuram ao lado de México, El Salvador e Costa Rica como os únicos cinco que não tiveram piora na sua avaliação de risco durante desde 1997.

Na opinião do analista Bowler, apenas uma série de medidas internas em cada país e uma melhora no cenário internacional podem ajudar a região a se recuperar.

“Internamente, os países precisarão diminuir sua dependência do capital internacional”, afirma ele. “Externamente, é preciso que as principais economias se recuperem.”

Ele não espera, porém, nenhuma melhora substancial para a avalização da região no curto prazo, já que tanto as mudanças internas como as externas devem tomar tempo.