Riotur reclama do réveillon

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Publicado terça-feira, 1 de janeiro de 2002 as 20:11, por: cdb

A chegada de 2002 em Copacabana, no Rio, foi uma das mais tranqüilas dos últimos anos, mas também uma das menos animadas. O céu estava estrelado e a lua cheia – a primeira que apareceu num réveillon em muitos anos – deu o ar da graça a noite inteira, contrariando as previsões pessimistas da meteorologia, segundo as quais choveria até granizo, mas o espetáculo de fogos deixou a desejar. O presidente da Riotur, José Eduardo Guinle, fez um mea culpa e resumiu o que foi a passagem de ano em Copacabana: “Faltou exuberância.”

Cerca de 1,6 milhão de moradores e turistas, segundo a Riotur, organizadora da festa, se espalhou pelos quatro quilômetros da praia, mas houve espaço para todo mundo. A queima de fogos de artifício, que causou a morte de uma pessoa e feriu outras 49 em 2001, aconteceu em balsas ancoradas a 300 metros da areia. Foi segura, mas dividiu o público. Quem ficou nas extremidades, próximo ao Forte de Copacabana ou no Leme, achou o espetáculo pobre e ensaiou uma vaia. A trilha sonora produzida por Reginaldo Bessa, com músicas clássicas de sucesso (a ópera Carmina Burana e o Bolero de Ravel) e hits brasileiros (Aquarela do Brasil e Cidade Maravilhosa), não chegou aos extremos da praia. “No ano passado, a gente ficou com medo porque os fogos estouraram muito perto, mas foi mais emocionante”, disse Rosilene Guerrer, que vem de São Paulo todos os anos passar o ano-novo no Rio.

No meio da praia, em frente às balsas, o espetáculo foi considerado deslumbrante. Francisco Lovisi Travassos e Stella Tortorielo, que vieram de Minas Gerais pela primeira vez para ver os fogos, adoraram tudo. “É completamente diferente de tudo o que já vi, tanto no céu quanto as pessoas que ficam na rua, como se fosse uma turma só”, disse ele. “Eu pensava que era perigoso, mas não vi nada que desse medo. Volto no ano que vem.” Guinle reconheceu que o show será melhor com mais balsas com fogos espalhadas ao longo da praia.

“Quatro é muito pouco; ano que vem, teremos pelo menos seis para todos verem o espetáculo de perto”, prometeu. “A cascata do Hotel Le Méridien, que foi suspensa este ano, também pode ser reavaliada, apesar de o hotel ter contornado a proibição com uma bela cascata de papel picado.” A segurança e a infra-estrutura foram os itens que funcionaram melhor.

Nos sete postos médicos espalhados pela praia, houve 440 atendimentos, mas apenas 16 pessoas foram removidas. Os banheiros químicos, embora distribuídos por toda orla, foram insuficientes e as filas eram quilométricas.

Se a chegada, a partir das 16 horas de ontem, foi complicada por causa do grande engarrafamento em Copacabana e nos bairros vizinhos (especialmente Ipanema e Botafogo), a volta foi tranqüila. Pela primeira vez, não houve filas quilométricas no metrô após a meia-noite, os ônibus não estavam lotados, o trânsito fluía e sobravam táxis cobrando a tarifa normal.

Até a limpeza da praia funcionou a contento. Pouco depois de o sol nascer, por volta das 6 horas de hoje, um batalhão de 1.100 garis da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) tirou 300 toneladas de lixo da praia, entre garrafas de bebida, latas e oferendas a Iemanjá.

As homenagens à divindade atraíram ainda “garimpeiros”. Eles chegam na madrugada para tentar resgatar do mar objetos valiosos ofertados à rainha do mar. O pioneiro na atividade é Ribeiro Mariano, de 50 anos, que há 24 faz explorações em Copacabana, depois do réveillon. Hoje pela manhã, ele havia recuperado uma nota de US$ 100 e um cordão de ouro. “Tem de entender de maré para ser garimpeiro profissional. Daqui a cinco dias, o que não for recuperado hoje, vai aparecer no Recreio dos Bandeirantes”, ensinou.

Mariano descumpriu hoje o principal mandamento: o de chegar cedo, ainda de madrugada. “Bebi demais; só cheguei às 6 horas”, queixou-se. O discípulo dele, Léo de Souza, de 27 anos, garimpava desde as 2 horas, munido de máscara de mergulho. Conseguiu angariar 140 reais, dois relógios e um cordão de ouro. Pouco depois das 10 horas, qua