Rio+20: Balanço Global

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Publicado quarta-feira, 24 de agosto de 2011 as 11:36, por: cdb

Por Eduardo Athayde

Quando o mundo reuniu-se no Rio de Janeiro, em 1992, para aConferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – Eco92, com objetivo de conciliar desenvolvimento sócio-econômico e a preservaçãodos ecossistemas, o conceito de “Desenvolvimento Sustentável” foi consagrado.

Naquele ano, a população global era de 5.4 bilhões dehabitantes e o PIB mundial de 28 trilhões de dólares. 20 anos depois, com umapopulação global de 7 bilhões de habitantes e um PIB de 78 trilhões de dólares(US$ 50 tri a mais), a Conferência das Nações Unidas para o DesenvolvimentoSustentável – Rio+20, foi convocada para o Brasil em junho de 2012. Juntos,governos, corporações e sociedade civil farão o balanço do planeta, apurandolucros e prejuízos, debatendo o desenvolvimento global.

Apurações para balancetes estão em curso. As 500 milhões depessoas mais ricas do mundo (aproximadamente 7% da população mundial) sãoresponsáveis por 50% das emissões globais de carbono, enquanto os 3 bilhõesmais pobres são responsáveis por apenas 6%. Os 16% mais ricos do mundo sãoresponsáveis por 78% do total do consumo mundial, ficando para os 84%restantes, apenas 22% do total global a ser consumido.

Hoje, são extraídas 60 bilhões de toneladas de recursosanualmente, 50% a mais do que há apenas 30 anos. Entre 1950 e 2010 a produçãode metais cresceu seis vezes, a de petróleo, oito, e o consumo de gás natural,14 vezes; revela o Estado do Mundo 2010, relatório do WWI-Worldwatch Institute.Junto com o crescimento da desigualdade social também escalam a tensão e aviolência nas cidades que ocupam apenas 0,4% da superfície do planeta.

No artigo intitulado “O real significado da demanda doconsumidor”, publicado em 1955, o economista americano Victor Lebow marcou oinicio da corrida consumista que o mundo ainda não conseguiu frear: “Nossaeconomia enormemente produtiva exige que façamos do consumo nossa forma davida, que convertamos a compra e o uso de bens em rituais, que busquemos satisfaçõesespirituais e satisfações do ego, no consumo. A medida do status social, doprestigio, deve ser encontrada agora em nossos padrões consumistas e osignificado de nossas vidas expresso em termos de consumo”.

O resultado desta visão, ainda vigente, proliferou, levandoo americano médio a consumir atualmente 88 quilos de recursos diariamente e oeuropeu médio, 43 quilos. A China, que tem hoje 22% da população do planeta eapenas 7% das terras aráveis, embalada pelo modelo americano, já consome três vezesmais grãos e duas vezes mais carne que os EUA. Os chineses compram hoje maiscarros que os americanos. 18 milhões de novos veículos de passeio entraram nasruas chinesas só em 2010 (toda frota brasileira é de 32 milhões de veículos).Com o crescimento da economia chinesa, se cada chinês consumir, por exemplo, amesma quantidade de papel que os americanos consomem atualmente, em 2030, os1.46 bilhão de chineses, sozinhos, consumirão todo papel que o mundo produzhoje.

Onde vamos parar? Em 1804 a população humana atingiu oprimeiro bilhão. 130 anos depois, em 1930, chegou a 2 bilhões. Com os avançosda ciência e tecnologia e a queda da mortalidade infantil, o ritmo acelerou. Em1960, chegamos a 3 bilhões. Em 1974, 4 bilhões; 1987, 5 bi; 1998, 6 bi; e continuamoscrescendo. Como planejar para atender aos atuais 7 bilhões de habitantes -metade urbanos, amontoado em cidades – e mais os 75 milhões de novoshabitantes/consumidores acrescidos anualmente à população humana?

Forjada há meio século a equação do PIB, de catarata, nãoconsegue mais enxergar fatos e dados consagrados pela sustentabilidade como onível de eficiência das instituições, o valor da inovação, do capital social, ocapital natural, a conectividade e a descarbonização. Novos indicadores macroeconômicoscomo o IPG (Indicador de Progresso Genuíno) e a Pegada Ecológica, ajudadospelas novas regras do IFRS (International Financial Reporting Standards -pronunciamentos contábeis adotados nos demonstrativos financeiros em todo omundo, inclusive no Brasil) somados à inteligência artificial e à conectividadeda internet, contribuem na montagem do novo balanço global.

Agências de classificação de risco já começam a monitorar asustentabilidade setorial.Assim como graduam a capacidade de uma empresa ou umpaís de cumprir compromissos financeiros, dando notas e influenciando mercados,agencias como a Standard & Poors, sintonizadas com a realidade corrente eevoluindo na acreditação, já disponibilizam indicadores como os S&P GlobalThematic Index Series e o S&P/ASX (Sustainability Reporting Practices).

Se tivessemos que eleger uma palavra para traduzirsustentabilidade talvez “equilíbrio” fosse a melhor candidata. Sustentabilidadeé a busca do equilíbrio dinâmico entre os complexos contextos da realidade -seja em uma casa, uma empresa, uma cidade, um país ou no Planeta. A Rio+20 nãoé um evento do qual se possa esperar produto acabado, é um “momentointenso” de encontro e de avanços entre governos, corporações e pessoasconectadas, teando inteligência nova para enfrentar o desafio da construção deuma “economia equilibrada” – apelidada de green economy.