Rio tem programa para sustentar indústria naval

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Publicado quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008 as 08:27, por: cdb

O Governo do Estado lançou, no Estaleiro Mauá, em Niterói, o Programa de Sustentabilidade da Indústria Naval do Estado do Rio de Janeiro, visando dar competitividade internacional e perenidade ao setor. Na oportunidade, o Secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, anunciou a publicação do decreto isentando de ICMS o aço importado para construção de embarcações, como primeira medida concreta do plano setorial. A ação visa baratear a compra do insumo no mercado externo e forçar a redução de preço no mercado interno por parte das siderúrgicas nacionais.

Ao apresentar o programa, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, que, na última sexta-feira, obteve aprovação do planejamento pelos principais representantes do setor, disse que a desoneração do aço naval é um pleito do segmento, mas destacou que a estratégia vai muito além do fim do imposto. 

–  O programa tem dimensão maior que apenas zerar o ICMS. Nossos objetivos são: formular políticas estratégicas, garantir escala de produção de navios, capacitar mão-de-obra, estimular a geração de emprego e renda, adensar a cadeia produtiva com a atração de novos empreendimentos e o desenvolvimento das atividades já instaladas e aumentar a exportação de navios – detalhou Bueno.

Representando o governador Sérgio Cabral, Regis Fichtner destacou que o ato de desoneração do aço importado foi uma unanimidade dentro do governo por assegurar a sustentabilidade da indústria naval fluminense. O diretor da Transpetro, Agenor Junqueira Leite, também considerou a ação do Governo do Estado importante para a indústria do Rio e um indicativo para toda a indústria brasileira. 

–  É importante termos matéria-prima e insumos a preços competitivos, de modo que possamos colocar em prática o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva. Com a desoneração do aço importado e a criação de um plano de sustentabilidade, proposto pelo Governo do Estado, a indústria do Rio dá um salto qualitativo – afirmou Agenor Junqueira, lembrando que somente a Transpetro comprará 400 mil toneladas de aço nos próximos três anos para a implantação da primeira fase do Programa de Modernização e Expansão de Frota (Promef).

Já German Efromovich, presidente do Synergy Group, controlador do Estaleiro Mauá, afirmou que o Governo do Estado está dando as condições necessárias para que tanto a indústria naval do estado quanto a nacional possam ganhar a confiança necessária para se tornar competitiva no mercado externo.

O presidente do Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore), Ariovaldo Rocha, destacou que a isenção do ICMS do aço é importante para dar competitividade a indústria nacional, e que essa medida deverá ser seguida pelos demais estados do país. 

–  O Programa de Sustentabilidade e a isenção do aço são duas ações importantes para a indústria naval. O carro-chefe dessa indústria é o Rio de Janeiro e é daqui que deve sair essas medidas para o resto do país – assegurou Rocha, lembrando que a ação atingirá toda a cadeia produtiva do setor.

O setor está aquecido,  com a implantação da primeira fase do Programa de Modernização e Expansão de Frota (Promef) da Transpetro, que prevê a construção de 26 petroleiros, sendo 13 no Rio. No Estado ainda estão sendo construídos cinco navios porta-conteineres para a Log-In; dois graneleiros para a Laurin do Brasil; dez petroleiros para a PDVSA (empresa de petróleo venezuelana); além de dez navios de apoio offshore e a confirmação de que a plataforma P-57, da Petrobrás, também será construída aqui.