Rio perde vidas e dinheiro com o crime

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Publicado domingo, 18 de maio de 2003 as 21:38, por: cdb

A recente onda de violência no Rio de Janeiro preocupa economistas e investidores, com um custo elevado para a cidade e todo o país.

De acordo com Alexandre Sampaio, presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro, a violência afastou cerca de 40 por cento dos clientes de bares e restaurantes em algumas regiões.

“Os moradores do Rio estão ficando mais reclusos”, disse. Segundo ele, o número de clientes em restaurantes nas noites da badalada Zona Sul da cidade caiu 10 por cento, mas as entregas a domicílio cresceram 40 por cento nos últimos meses.

A taxa de ocupação em hotéis, afirma Sampaio, caiu para 57 por cento durante o feriado de 1o. de maio, em comparação com a taxa de 82 por cento na Páscoa, em parte devido ao crime.

Ele disse que o perigo afasta principalmente turistas brasileiros. Já os estrangeiros, acostumados à má reputação do Rio, continuam viajando.

O índice de assassinatos no Rio é de 60 pessoas por 100.000 e tornou a cidade uma das mais perigosas do mundo, ao lado de Cali (Colômbia) e Johanesburgo (África do Sul).

Segundo o pesquisador Ib Teixeira, cerca de 6.000 pessoas foram assassinadas no Rio de Janeiro no ano passado, mais que o número de mortos na invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

Teixeira, economista da Fundação Getúlio Vargas que pesquisa os custos da violência, disse que o Brasil perde 10 bilhões de dólares por ano em potencial turístico, principalmente por causa da criminalidade.

O Brasil tem capacidade de receber 8 milhões de turistas por ano, mas atraiu menos de 3 milhões em 2002.

Segundo os cálculos de Teixeira, os gastos do Brasil relacionados à violência chegaram a 13 bilhões de dólares em 2002, e a maior parte “foi completamente em vão, porque a violência está crescendo constantemente”.

Os custos da violência são medidos por gastos com polícia, novos presídios, serviços de saúde para as vítimas e gastos do setor privado com guardas, câmeras e seguros.

Teixeira lembrou que o Brasil tem a segunda maior frota de carros blindados do mundo, ficando atrás somente dos EUA, com 20.000 veículos. Já o número de carros roubados no Brasil, cerca de 400.000, fica acima da produção anual de carros da Argentina.

Uma fonte confirmou à Reuters que o banco norte-americano Citigroup advertiu na semana passada seus funcionários a evitarem o aeroporto do Rio e sugeriu o uso do aeroporto de São Paulo.

“O anúncio do Citi provavelmente vai piorar a situação, já que é uma instituição conhecida, importante”, disse Sampaio.