Rio inicia racionalização da frota de ônibus da Zona Sul

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Publicado sexta-feira, 2 de outubro de 2015 as 13:52, por: cdb

Por Redação, com ARN – do Rio de Janeiro:

A primeira fase do projeto de racionalização da frota da Zona Sul do Rio começa neste sábado. Nesse primeiro momento, serão extintas onze linhas e criadas cinco, a fim de organizar melhor o sistema de ônibus na cidade. A ideia da racionalização se deu a partir da constatação de que muitas linhas fazem trajetos semelhantes e circulam com os ônibus muito abaixo da capacidade, prejudicando o trânsito.

Ao fim da implementação de todo o projeto, previsto para março de 2016, haverá 35% de redução da frota que passa pela Zona Sul da cidade. O objetivo é acabar com a sobreposição das linhas, a disputa por passageiros nos pontos e, assim, garantir mais fluidez no trânsito e menos tempo de viagem. O anúncio foi feito, na última segunda-feira, pelo secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani.

A primeira fase do projeto de racionalização da frota da Zona Sul do Rio começa neste sábado
A primeira fase do projeto de racionalização da frota da Zona Sul do Rio começa neste sábado

As novas linhas que serão criadas a partir de amanhã são as seguintes: Troncal 1 (da Praça General Osório até Central, via Avenida Nossa Senhora de Copacabana/ Aterro), Integrada 1 (da Alvorada ao Rio Sul, via Avenida das Américas/ Auto-Estrada Lagoa Barra/Av. Atlântica), Integrada 2 (da Alvorada ao Rio Sul, via Avenida Lucio Costa/ Av.Niemeyer/Av. Atlântica), Integrada 8 (do Recreio ao Rio Sul, via Av. das Américas/ Auto-Estrada Lagoa Barra/Av.Atlantica) e Integrada 9 (de Piabas ao Rio Sul, via Av. Atlântica / Av. Niemeyer / Estrada Benvindo de Novaes).

Já as linhas que serão retiradas de circulação são: 305 – Rodoviária x Barra da Tijuca (via Túnel Rebouças), 314 – Central x Barra da Tijuca (via Copacabana/Av. das Américas), 318 – Barra Sul x Castelo, 332 – Alvorada x Castelo (via Av. Lucio Costa), 360 – Carioca x Recreio dos Bandeirantes, 382 – Carioca x Piabas (via Av. Benvindo de Novaes), 501 – Barra da Tijuca x Gávea (via Av. das Américas) – Circular, 502 – Recreio x Gávea (via Av. das Américas) – Circular, 504 – Piabas x Gávea (via Av. Benvindo de Novaes), 505 – Recreio dos Bandeirantes x Gávea – Circular e 535 – Alvorada x Leme (via Av. Niemeyer/Copacabana).

Ativistas protestam

Manifestantes realizaram na quinta-feira à noite um protesto, no Centro do Rio, contra a iniciativa da prefeitura de extinguir 19 linhas de ônibus e encurtar outras dez, principalmente as que ligam bairros da Zona Norte à Zona Sul. Com isso, será necessário fazer baldeação no centro para seguir às praias.

Os ativistas se concentraram na Igreja da Candelária e seguiram até o prédio da Central do Brasil. Eles ocuparam duas faixas da Avenida Presidente Vargas, foram seguidos de perto pela Polícia Militar, mas não houve violência.

A professora Mariângela Ferreira carregava um cartaz onde estava escrito “Contra o apartheidsocial”. Ela classificou a medida como uma forma de racismo.

– O governo está querendo botar um cordão social para separar a população. A praia está na Zona Sul, mas ela é pública e é um direito de todos. Estão tirando nosso direito de ir e vir e favorecendo as empresas de ônibus, que bancam as campanhas políticas. Quem mais sofre é a juventude pobre e negra. É um processo claro de racismo e apartheid social – protestou Mariângela.

A vendedora e poetisa Ana Carolina de Oliveira Lopes disse que a iniciativa de extinguir e reduzir o percusso das linhas de ônibus atingirá principalmente os trabalhadores do mercado informal, que não têm bilhete único, e os jovens pobres das favelas.

– É muito errado isso. Quem trabalha e precisa sair da zona norte para a zona sul vai dobrar o que tem de pagar em passagem. Eu não tenho bilhete único, pois meu trabalho não é de carteira assinada – informou Ana Carolina, que vende seus poemas na praia.

Para o ativista político Vilmar Torres, outra questão preocupante é o desemprego de motoristas e cobradores que a mudança deverá acarretar, pois a prefeitura anunciou que um dos efeitos será a retirada de circulação de 700 ônibus das ruas. “Não podemos aceitar que seja cobrada uma passagem a mais dos trabalhadores e que coloquem em risco o emprego dos rodoviários.”

A prefeitura nega que o plano aumente a exclusão e a desigualdade e assegura que 80% dos passageiros já usam o bilhete único, que garante gratuidade, dentro do período de 2h30min, no uso de dois transportes.

De acordo com a prefeitura, o objetivo é racionalizar o serviço de transporte, já que, atualmente, 64% das linhas de ônibus se sobrepõem em 80% dos trajetos. Para a prefeitura, a retirada de ônibus das ruas objetiva aumentar a velocidade nos corredores e diminuir a poluição atmosférica.

Ao todo, foram analisadas 124 linhas de ônibus e a prefeitura decidiu criar 16 linhas, modificar 41, manter 13 e extinguir 70, afetando 800 mil passageiros por dia. A segunda etapa das mudanças, envolvendo as linhas da zona norte, ocorrerá dia 24 de outubro e a última em 5 de dezembro. A segunda fase, eixo Jardim Botânico-Botafogo, será implementada de janeiro a abril de 2016.

A linha 474 (Jacaré-Jardim de Alah), ligando a comunidade do Jacaré-Jacarezinho, na zona norte, à orla da zona sul, está entre as que serão extintas. Ela também é um dos principais alvos da polícia nas revistas dos ônibus que seguem para as praias.