Rio festeja 438 anos em clima de carnaval e medo

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Publicado sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003 as 22:29, por: cdb

A “Cidade Maravilhosa”, antiga capital do Império e da República, entrou na folia do Carnaval 2003 com uma data a mais para comemorar — seus 438 anos de fundação, neste sábado –, porém vivendo um drama que lhe persegue nos últimos anos: a violência urbana, promovida por traficantes de drogas que instalaram um poder paralelo e levaram forças policias e militares a ocupar as ruas, junto com os foliões.

Uma missa de Ação de Graças, às 10 horas, na Igreja de São Sebastião dos Frades Capuchinhos, na Tijuca, celebrada pelo arcebispo Dom Eusébio Oscar Scheid, marcará o aniversário, com orações e pedidos pelo fim dos conflitos, que nesta semana foram responsáveis por uma onda de violência, atingindo quase todos os bairros da capital, com ônibus incendiados, assassinatos, roubos e atentados a bombas e granadas.

O culto religioso na igreja do padroeiro da cidade, encomendado pela Prefeitura, é uma tradição que reúne autoridades, servidores municipais e públicos em geral.

A missa será acompanhada pelo coral “Semeando”, formado por professores e servidores da Secretaria Municipal de Educação.

Shows e bailes populares por toda a cidade também marcarão a data, que terá seu ponto alto no “Terreirão do Samba”, na Praça Onze, com apresentação de sambistas da Velha Guarda de várias escolas de samba.

Apesar dos traficantes, agora reprimidos pelo plano Rio Seguro, do governo estadual, reforçado pela presença de 3.000 soldados das Forças Armadas, a cidade não se rendeu à intimidação e entrou no clima de carnaval.

Nesta sexta-feira, o Rei Momo e a Rainha do Carnaval receberam no Sambódromo as chaves da cidade das mãos do prefeito César Maia.

Os bares do centro foram tomados por grupos de pessoas que deixaram o trabalho e fizeram batucadas em torno das mesas, comemoração que vai varar a noite.

O trânsito na Avenida Presidente Vargas já foi alterado para permitir o acesso dos carros alegóricos das escolas de samba mirins que desfilam na Passarela do Samba, abrindo o Carnaval na Marquês de Sapucaí.

Toda a área da Passarela do Samba está vigiada, por três mil homens da Polícia Civil.

O presidente da Riotur, a empresa de turismo do Rio, José Eduardo Guinle, informou que cerca de 380 mil turistas estão na cidade. A maioria hospedada em hotéis da zona sul.

A cidade, que é abençoada pela estátua do Cristo Redentor, sempre de braços abertos para a população, ainda espera o seu melhor presente: a Paz.