Rio de Janeiro será palco de duelo entre PT e PMDB em 2004

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Publicado terça-feira, 16 de setembro de 2003 as 21:12, por: cdb

A aliança nacional entre o PT e o PMDB sacramentada na Câmara durante as votações das reformas previdenciária e tributária – e que terá como principal desdobramento o convite aos peemedebistas para que ocupem duas pastas no ministério de Luiz Inácio Lula da Silva – será colocada à prova nos próximos meses, quando esquentará a disputa pelas eleições municipais de 2004. Ao deixar a esfera das cúpulas partidárias e os tapetes do Congresso Nacional para ganhar o terreno fértil e incerto das bases políticas espalhadas pelos milhares de municípios brasileiros, o namoro entre os dois maiores partidos do país promete ser tumultuado em alguns casos.

O caso mais emblemático é o do Rio de Janeiro, estado onde PT e PMDB têm projetos de poder que são antagônicos em muitos municípios. Além disso, as direções nacionais e regionais dos dois partidos não escondem cultivar a ambição de tornarem suas legendas hegemônicas na política fluminense. Para isso, PT e PMDB vão buscar ampliar ao máximo suas alianças e conquistar o maior numero possível de prefeituras no que promete ser um grande duelo político.
Lula, Garotinho e dois projetos de poder

A disputa entre PT e PMDB no Rio não terá como protagonistas eventuais candidatos a prefeito na capital ou no interior, mas sim o presidente Lula e o ex-governador Anthony Garotinho. Ao deixar o PSB e ingressar no PMDB, Garotinho deu demonstração de força política ao se fazer acompanhar pela governadora Rosinha Matheus e boa parte do seu secretariado, além de onze deputados federais, prefeitos e dezenas de vereadores (sete somente na capital, acabando com a maioria parlamentar do prefeito pefelista Cesar Maia na Câmara Municipal). Lula, por sua vez, é desde já o principal cabo eleitoral do PT no Rio. O partido pretende surfar a onda de popularidade e aprovação do presidente para conquistar no mínimo 30 prefeituras e se consolidar no interior do estado.

Para ingressar no PMDB, Garotinho fechou um acordo com os dois principais líderes do partido no Rio, o senador Sérgio Cabral Filho e o deputado federal Moreira Franco, com vistas às eleições municipais. Ficou acertado que o grupo que já estava no PMDB antes da chegada de Garotinho terá prioridade de indicar candidatos onde forem maiores suas chances de vitória, o mesmo acontecendo com o grupo do ex-governador. Os atuais prefeitos têm prioridade para tentar a reeleição. O acordo confirmou também as candidaturas do vice-governador Luiz Paulo Conde para a Prefeitura do Rio e de Cabral Filho para a sucessão de Rosinha em 2006.

O presidente nacional do PT, José Genoino, assegurou que o Rio de Janeiro será um dos principais palcos da estratégia petista de tornar o partido a maior força política nos municípios brasileiros. Em recente visita ao Rio, aonde veio abonar a polêmica filiação da prefeita de Magé, Narriman Zito, Genoino avisou que a realidade petista mudou e o partido tem a obrigação de crescer no Rio: “Para isso, não queremos candidaturas para fazer biografia do candidato nem qualificá-lo para as eleições parlamentares seguintes. Agora somos governo e temos que ganhar”, disse.

Atualmente, o PT comanda quatro prefeituras no Rio. Além de Magé, tem ainda as prefeituras de Niterói (Godofredo Pinto), Paracambi (André Ceciliano) e Resende (Eduardo Meohas). Apenas Ceciliano, no entanto, foi vitorioso nas urnas ostentando a estrelinha petista: Meohas era do PSB e ingressou no PT durante o governo de Benedita da Silva; Godofredo era vice-prefeito e assumiu depois que o prefeito pedetista Jorge Roberto Silveira deixou o cargo para concorrer ao governo do Estado no ano passado; Narriman era do PSDB. Para conquistar as 30 prefeituras almejadas, os petistas fluminenses estão autorizados pela cúpula nacional a fechar alianças com PSB, PPS, PTB, PL, PP e PMDB.

Família Zito é motivo de cobiça e já causa polêmica

Se, na capital, os candidatos Jorge Bittar (PT) e Luiz Paulo Conde (PMDB) parecem, pelo