Richard Gere é empresário corrupto em “A Negociação”

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Publicado sexta-feira, 21 de dezembro de 2012 as 11:32, por: cdb
Se o filme tem sua força e interesse, muito se deve à interpretação de Richard Gere, indicado ao Globo de Ouro por esse trabalho
Se o filme tem sua força e interesse, muito se deve à interpretação de Richard Gere, indicado ao Globo de Ouro por esse trabalho

A Negociação, um filme com Richard Gere, que traz mais uma visão do castelo de dinheiro desmoronando. Nos últimos anos, uma série de filmes coloca esse tema em cena, das mais variadas formas. De Wall Street – O Dinheiro Nunca DormeCosmópolis, passando por  Margin Call.

Se o filme tem sua força e interesse, muito se deve à interpretação de Richard Gere, indicado ao Globo de Ouro por esse trabalho, injetando credibilidade num personagem que muito facilmente poderia cair nos clichês. Ele é Robert Miller, dono de uma empresa de investimentos que se vê no meio de problemas: perde uma fortuna num negócio de mineração, correndo o risco de deixar de cobrir o rombo através da iminente venda de sua empresa, ao mesmo tempo que tem que esconder seu envolvimento num acidente de carro que resultou numa morte.

Embora tenha sido realmente um acidente, o fato de Robert deixar o local secretamente, com a ajuda do filho de um motorista, Jimmy Grant (Nate Parker), poderia tornar-se um desastre para ele. Mas há indícios que intrigam um detetive, Michael Bryer (Tim Roth), levando-o a investigar o que realmente aconteceu. Assim, a vida perfeita de Robert, embalada num belo apartamento, repleto de coisas caras e comandado pela esposa perfeita, Ellen (Susan Sarandon), começa a ruir.

O fato de ter uma amante francesa (Laetitia Casta) e de sua filha, a honesta Brooke (Brit Marling), trabalhar com ele são detalhes que podem contribuir para uma possível ruína de Robert. Escrito e dirigido por Nicholas Jarecki (que é meio-irmão do diretor do documentário Na Captura dos Friedmans), o longa percorre os meandros por onde o protagonista caminha a fim de se livrar desses problemas.

Jarecki conhece bem as negociações de Wall Street  seus pais foram corretores. Assim, é capaz de trazer detalhes e nuances para o filme, tanto no plano psicológico dos personagens quanto na moral fluida pela qual transitam. A inversão mais interessante se dá no embate entre pai e filha. Ela não concorda com os esquemas fraudulentos do pai e ele se defende, dizendo que são a única forma de sobreviver no mercado.

Em sua essência, A Negociação é uma fábula moral  nunca moralista ou moralizante , que, ao assumir o ponto de vista do protagonista, coloca o seu público num dilema: tomar ou não o seu partido. O fato de ter Gere como protagonista um ator cuja presença carismática sempre é motivo de simpatia contribui para fortalecer esse ambíguo sentimento dos espectadores.