Ricardo Teixeira: carta de renúncia

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Publicado segunda-feira, 12 de março de 2012 as 12:00, por: cdb

 Veja o teor da carta enviada por Ricardo Teixeira a José Maria Marin

– Foto: Rafael Ribeiro

“Ser presidente da CBF durante todos esses anos representou naminha vida uma experiência mágica. O futebol, no Brasil, é mais queesporte, mais que competição. É a paixão que envolve, é osofrimento que alegra, é a fidelidade que unifica.Por essas razões, pensei muito na decisão que ora comunico epensei muito no que dizer sobre minha decisão.Presidir paixões não é tarefa fácil. Futebol em nosso país ésempre automaticamente associado a duas imagens: talento edesorganização. Quando ganhamos, despertou o talento. Quandoperdemos, imperou a desorganização.Fiz, nestes anos, o que estava ao meu alcance, sacrificando asaúde, renunciando ao insubstituível convívio familiar. Fuicriticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias. Mas isso émuito pouco, pois tive a honra de administrar não somente aConfederação de Futebol mais vencedora do mundo, mas também o que oser humano tem de mais humano: seus sonhos, seu orgulho, seusentimento de pertencer a uma grande torcida, que se confunde com opaís.Ao trazer a Copa de 2014, o Brasil conquistou o privilégio desediar o maior e mais assistido evento do mundo, se inseriu napauta mundial, alavancou mais a economia e aumentou o orgulho detodo o povo brasileiro.Tentei, no limite das minhas forças, organizar os talentos. Nasminhas gestões, criamos os campeonatos de pontos corridos e a Copado Brasil, aumentamos substancialmente as rendas do futebolbrasileiro, desenvolvemos o marketing e, principalmente,vencemos.Hoje, deixo definitivamente a presidência da CBF com a sensaçãodo dever cumprido. Não há sequência de ataques injustos que serivalizem à felicidade de ver, no rosto dos brasileiros, a alegriada conquista de mais de 100 títulos, entre os quais duas Copas doMundo, cinco Copas América e três Copas das Confederações. Nadamaculará o que foi construído com sacrifício, renúncia e dor.A mesma paixão que empolga, consome. A injustiça generalizada,machuca. O espírito é forte, mas o corpo paga a conta. Me exigeagora cuidar da saúde.Em obediência ao estatuto da CBF, mais precisamente ao dispostoem seu artigo 37, você, meu vice-presidente e ex-governador de SãoPaulo, José Maria Marin, passa a presidir a CBF. A você, desejosorte, para que o talento se revele na hora certa; discernimento,para que o futebol brasileiro siga cada vez mais organizado erespeitado; e força, para enfrentar as dificuldades que certamentevirão.Deixo a CBF, mas não deixo a paixão pelo futebol. Até por isso,a partir de hoje e sempre que necessário, coloco-me à disposição daentidade. Reúno-me com mais força à minha família, que entendeuminha missão, apoiou-me sempre e me faz ainda mais feliz.Agradeço de maneira especial aos presidentes de clubes e dasfederações estaduais, aos dirigentes e colaboradores da CBF, amigosleais em quem sempre encontrei apoio incondicional para odesempenho de meu trabalho.À torcida brasileira, meu muito obrigado. Nunca me esquecereidas taças sendo erguidas. Elas estão no coração de cada um de nós.Elas são um pedaço do Brasil.” Ricardo Terra Teixeira