Reunião para discutir divisão na Otan termina sem avanço

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 11 de fevereiro de 2003 as 19:15, por: cdb

Embaixadores da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) reunidos em Bruxelas nesta terça-feira não chegaram a nenhum acordo sobre como resolver a divisão entre países membros da aliança militar sobre o início das preparações militares para uma eventual guerra contra o Iraque.

O encontro, que chegou a ser adiado duas vezes para permitir negociações informais, durou apenas cerca de 20 minutos.

Segundo o porta-voz da Otan Yves Brodeur, novas consultas seriam realizadas durante a noite, e a reunião deve ser retomada na quarta-feira.

Ainda nesta terça-feira, o presidente da China, Jiang Zemin, manifestou seu apoio à proposta franco-alemã de que a inspeção de armas de destruição em massa no Iraque prossiga, com mais fiscais sendo enviados ao país.

Oposição aos EUA

Segundo a imprensa estatal chinesa, o presidente expressou sua posição em uma conversa telefônica com o presidente francês, Jacques Chirac.

“A inspeção no Iraque é eficiente, deve ser reforçada e continuar, para que a resolução 1441 seja implementada”, teria dito Jiang a Chirac, segundo a agência de notícias chinesa Xinhua.

Além da China, a Rússia, outro membros permanente do Conselho de Segurança da ONU com direito a veto, manifestou apoio à proposta de prosseguimento das inspeções.

Um alto funcionário do governo alemão disse que, do total de 15 membros do Conselho de Segurança, 11 apoiam a extensão do período de inspeção de armas no Iraque.

Reação negativa

O Iraque teve uma reação inicial negativa à sugestão de que as inspeções sejam ampliadas.

Em uma entrevista a um jornal em língua árabe, o ministro do Exterior, Naji Sabri, disse que ele não questiona as boas intenções dos alemães e franceses ao apresentarem a proposta, apoiada pelos russos e chineses.

Mas Sabri disse que o Iraque não iria aceitar a possibilidade de que soldados de uma força de paz da ONU fossem enviados ao país para ajudar nas inspeções.

Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Rageh Omar, as autoridades iraquianas sem dúvida estão gostando da divisão na Otan, mas estão tomando o cuidado de não manifestar sua satisfação.

Omar acha que o Iraque está sendo cuidadoso com o jogo diplomático e está aproveitando o momento para anunciar novas concessões aos fiscais, como a autorização para que aviões de reconhecimento U2 sejam usados para procurar por armas no país.

Em outros desdobramentos da crise:

A Grécia confirmou a realização de uma reunião de emergência da União Européia na próxima segunda-feira;

A Anistia Internacional pediu ao Conselho de Segurança da ONU que reflita a respeito das conseqüências do ataque contra o Iraque para os civis;

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, deve se encontrar informalmente com representantes de todos os membros do conselho de segurança da ONU para discutir os preparativos da ONU para atender os refugiados que podem surgir durante o possível conflito;

O ministro do Exterior da Grã-Bretanha, Jack Straw, rejeitou a proposta de aumentar o número de fiscais de armas no Iraque, dizendo que “mesmo se multiplicarmos o número (de fiscais) por mil” não haveria nenhum avanço.

Crítica americana

A crise na Otan foi detonada pelo veto da França, Alemanha e Bélgica, na segunda-feira, aos planos da organização de iniciar o embarque de equipamentos de defesa para a Turquia – o único país-membro que tem fronteira com o Iraque.

Washington criticou decisão de protelar o envio de ajuda à Turquia.

“Eu não entendo essa decisão. Ela afeta a aliança de forma negativa”, disse o presidente George W. Bush.

Os três países que se opuseram à medida justificam o veto dizendo que o envio de equipamentos para a Turquia seria uma admissão tácita de que os esforços diplomáticos para o desarmamento do Iraque já fracassaram.

“O que está em jogo é se damos mais tempo à diplomacia e ao Conselho de Segurança”, disse Benoit d’Aboville, embaixador da França na Otan.

Os especialistas dizem que o transporte do equipamento mi