Reunião de emergência sobre a crise é adiada pela Otan

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Publicado terça-feira, 11 de fevereiro de 2003 as 14:40, por: cdb

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), George Robertson, adiou de última hora uma nova reunião de emergência que discutiria, nesta terça-feira, a crise na aliança militar causada pelo veto de França, Alemanha e Bélgica a um plano, apoiado pelos Estados Unidos, sobre preparativos para uma possível guerra contra o Iraque.

Robertson disse que a reunião, inicialmente marcada para 10h da manhã (7h, em Brasília), seria agora realizada às 16h30 a fim de dar tempo aos embaixadores para avançar em conversações informais.

“Há muitas consultas informais sendo realizadas, e foi concluído que não precisávamos da reunião, agora”, disse o secretário.

Duas sessões de emergência terminaram em impasse, na segunda-feira, depois do vazamento da notícia sobre o veto, que trata especificamente do envio de ajuda militar à Turquia, também membro da Otan.

França, Alemanha e Bélgica consideraram o plano prematuro, alegando que tal ajuda prejudicaria os esforços para evitar uma guerra.

Na noite de segunda-feira, o presidente George W. Bush declarou-se “decepcionado” com o veto.

“Eu não compreendo essa decisão”, disse Bush. “Ela afeta a aliança de uma forma negativa… quando você não é capaz de fazer uma declaração de defesa mútua”.

Bush pretendia enviar à Turquia aviões-radares AWACS, baterias antimísseis Patriot e especialistas em detecção de armas químicas e biológicas, como parte dos preparativos de defesa numa possível guerra contra o Iraque.

Em entrevista ao correspondente da CNN Matthew Chance, uma fonte da Otan disse que não havia indicações de “mudança alguma na posição francesa”.

Turquia cobra solidariedade
Ainda nesta terça-feira, a Turquia afirmou que a Otan tem um dever moral e contratual de iniciar preparativos militares para defender um aliado leal, acrescentando que o país protegeu sua linha de frente durante décadas de Guerra Fria.

O Governo turco invocou um artigo-chave no pacto da Otan, que estabelece a assistência que o premier Abdullah Gul classificou de “obrigação”.

“A Turquia defendeu toda a Europa durante o período da Guerra Fria”, declarou Gul. “Nosso país foi um escudo para a Europa. Por isso, não há dúvida de que a Otan deve fazer o que lhe cabe”.

O premier acrescentou que as Forças Armadas da Turquia têm capacidade para defender o país, mesmo se a Otan recusar-se a ajudar.

“Mas não há dúvida de que eles (a Otan) têm uma responsabilidade, por causa dos nossos direitos no tratado”, disse.