Reunião com iraquianos será presidida por enviado dos EUA

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Publicado sexta-feira, 11 de abril de 2003 as 17:08, por: cdb

Um enviado dos EUA deve se reunir na próxima semana em Nasiriya, Iraque, com líderes da oposição, num primeiro passo para a formação de um governo que deverá assumir o poder após um período interino de administração americana, disseram autoridades de Washington.

O enviado Zalmay Khalilzad, que atuou numa série de conferências que produziram um governo interino pós-Taleban no Afeganistão, tentará alcançar um resultado semelhante com a fragmentada oposição do Iraque.

Líderes da oposição iraquiana, pedindo para não serem identificados, disseram que os preparativos do encontro estavam se desenrolando com a mesma rapidez da guerra contra o regime de Saddam Hussein e especularam que, no final, a reunião pode ocorrer em Bagdá.

Um repórter viu uma coluna de caminhões do Exército e utilitários dos EUA com cerca de 150 membros das Forças Livres Iraquianas – um grupo treinado pelos americanos para ajudar nas unidades militares com encargos civis – rumando nesta sexta-feira das proximidades de Nasiriya para o norte. Um dos soldados disse que eles estavam indo para Bagdá.

Administrações provisórias

A administração iraquiana do general Jay Garner, dominada pelo Pentágono e que responde ao comando militar do general americano Tommy Franks, será responsável por coordenar a ajuda humanitária, reconstruir a infra-estrutura e dar início a um processo político que leve a um regime democrático.

O norte do país será administrado de Mosul por Bruce Moore, outro general da reserva americano. A região central, incluindo Bagdá, será liderada por Barbara Bodine, uma ex-embaixadora no Iêmen que ficou refém na Embaixada dos EUA na Cidade do Kuwait durante a Guerra do Golfo de 1991. O general da reserva Buck Walters administrará o sul a partir de Basra, ou da cidade portuária de Umm Qasr.

Em Washington, o subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz afirmou na noite da última quinta-feira (10) a parlamentares que o Pentágono antevê ministérios paralelos, liderados por americanos e iraquianos, até que possa ser estabelecido um governo interino.

A responsabilidade de supervisionar serviços públicos, como saúde e energia elétrica, seria gradualmente passada dos ministérios liderados pelos EUA para os dos iraquianos, disse Wolfowitz.

Ele não ofereceu detalhes sobre quanto tempo levará para que seja formado o governo interino, quantas tropas e civis americanos terão de permanecer no Iraque, ou por quanto tempo eles ficarão.

O subsecretário disse que poderiam ser realizadas assembléias em todo o país nas quais iraquianos “podem ter alguma idéia de quem são as pessoas que podem articular bem posições, que podem falar por mais do que por elas mesmas”.