Retrospectiva: As gafes e embaraços do presidente

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Publicado terça-feira, 30 de dezembro de 2003 as 10:34, por: cdb

Os discursos improvisados e brincadeiras de última hora garantiram ao presidente Lula muitos momentos embaraçosos. O presidente já trocou nome de governador, disse que uma cidade africana era limpa demais e chegou a falar que “há males que vêm para o bem” quando houve o acidente no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Confira algumas das gafes mais marcantes de Lula em 2003.

África tão limpa

Na viagem que fez a países africanos, o presidente Lula também pisou na bola. Falando em Windhoek, a capital da Namíbia, disse que não esperava encontrar na África uma cidade tão limpa como Windhoek e que não parecia estar num país africano.

“Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade”, disse Lula. A declaração caiu como uma bomba no Congresso. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), chegou a dizer que o episódio revelou o despreparo do presidente “ao defender que limpeza é coisa de branco e não de um País negro como a África”.

Desconforto britânico

Em julho, numa excursão à Inglaterra, Lula descartou a reeleição do primeiro-ministro, Tony Blair, ao afirmar, num discurso de improviso, que ele não seria o anfitrião do próximo encontro da Governança Progressista ou por não saber que ele pode se candidatar à reeleição quantas vezes queira, ou por sugerir que ele não conseguirá um terceiro mandato.

Em seu segundo mandato, Blair quer a reeleição, possível pelas leis britânicas, mas enfrenta sérios desgastes devido ao seu apoio à guerra contra o Iraque. Lula foi mais além e disse: “Era preciso que o Tony Blair tivesse convidado o Bush para ele falar”. Alguns riram, mas o primeiro-ministro expressou apenas um sorriso amarelo.

Dona Marisa barrada

Em visita a Madri, na Espanha, Lula quebrou o protocolo durante jantar oferecido pelo rei Juan Carlos. Vestiu um terno no lugar da tradicional casaca. O Itamaraty já havia avisado que o presidente brasileiro não usaria o traje de gala.

Mas nessa viagem a gafe maior não foi de Lula. Um ajudante-de-ordem espanhol, quando Lula e Marisa chegaram, a bordo de um Rolls-Royce negro, na residência oficial do rei, esqueceu a primeira-dama brasileira dentro do carro. O presidente desembarcou e o encarregado do cerimonial fechou a porta de Dona Marisa, que foi resgatada pelo próprio rei Juan Carlos, que corrigiu a gafe.

E a Dona Ruth?

Lula também não é muito atento a sua platéria. Em julho, ao saudar as personalidades presentes ao seminário sobre Desenvolvimento com Ética e Responsabilidade, em Belo Horizonte, o presidente citou nomes de várias pessoas, como o primeiro-ministro da Noruega, Kjell Mangne Bondevik, e o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique Iglesias, mas ignorou Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique. O esquecimento foi devidamente corrigido pelo governador de Minas, Aécio Neves, que também já foi vítima de Lula.

Neves por Nunes

O presidente se confundiu e cometeu uma gafe na inauguração da ponte de Porto Alencastro, entre os Estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, em outubro. Lula chamou o governador mineiro, Aécio Neves, de “Aécio Nunes”. A inauguração ocorreu na cidade de Paranaíba, em Mato Grosso do Sul.

Males mal entendido

Em setembro, num encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Nova York, o presidente Lula, ao agradecer o apoio dos russos para esclarecer as causas do acidente com o foguete lançador de satélites na Base de Alcântara, no qual morreram 22 brasileiros, soltou a frase de gosto duvidoso: “No Brasil, a gente diz que há males que vêm para o bem”.

E completou: “Em vez de prejudicar, o acidente de Alcântara pode estimular o esforço pelo avanço do conhecimento tecnológico na pesquisa espacial com a ajuda da Rússia”.

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