Retirada do Vioxx lança dúvida sobre novos antiinflamatórios

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Publicado quinta-feira, 30 de setembro de 2004 as 16:30, por: cdb

A decisão da Merck de retirar o antiinflamatório Vioxx do mercado no mundo todo pode ser uma boa notícia para a líder de mercado Pfizer, que fabrica o concorrente Celebra, mas lança dúvidas sobre os novos medicamentos do mesmo tipo.

Analistas da indústria disseram na quinta-feira que a suíça Novartis AG teria mais trabalho para aprovar seu Prexige, e as perspectivas são incertas para outra droga em estudos iniciais da GlaxoSmithKline Plc .

Também está em suspenso a expectativa para o lançamento já atrasado do Arcoxia, que sucederia o Vioxx.

O Vioxx, que teve vendas de 2,55 bilhões de dólares no mundo todo no ano passado, foi retirado do mercado depois que um estudo mostrou que ele aumentava o risco de enfarte e derrame.

O órgão norte-americano que controla os medicamentos, o FDA (Food and Drug Administration), disse que fiscalizaria de perto produtos parecidos para detectar qualquer sinal de que eles também possam causar problemas no coração.

O Celebra, da Pfizer, e seu sucessor Bextra não foram associados a esses riscos em ensaios clínicos. As ações do grupo farmacêutico subiram 1% na abertura do mercado.

– Isso é benéfico para a Pfizer – disse Michael King, um especialista na indústria farmacêutica da empresa Code Securities.

Mas, para drogas experimentais da classe denominada inibidores de Cox-2, que ainda nem chegaram ao mercado, os obstáculos cresceram. Essas drogas se tornaram um enorme sucesso desde que surgiram, em 1999. Elas podem reduzir efeitos colaterais no estômago, como úlceras, frequentes em pacientes que tomavam analgésicos mais antigos.

Muitas outras empresas tentaram ir atrás do sucesso da Pfizer e da Merck, mas o caminho para o mercado nem sempre foi fácil. O Prexige, da Novartis, teve o lançamento retrasado por preocupações com efeitos colaterais.

– Vai ser uma luta mais dura – e agora ainda mais – convencer o FDA a aprovar o Prexige – disse Kevin Scotcher, da SG Cowen.

No mês passado, um estudo com 18 mil pacientes divulgado pela Novartis mostrou que o Prexige não elevou a taxa de problemas cardíacos graves. Mas, num comentário na revista The Lancet, um médico experiente disse que ele ainda aumentava o risco de enfarte se comparado com o naproxeno, já consagrado.

As perspectivas para a nova droga da GlaxoSmithKline são ainda mais obscuras, pois ela ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento, sob o nome de 406381. Ela também é um novo tipo de inibidor de Cox-2, projetada para agir tanto perifericamente como centralmente. Por isso, a GSK espera que seja eficaz contra dores neuropáticas, não atingidas pelos medicamentos atuais, além da dor proveniente de processos inflamatórios.

– Acho que é inteligente presumir que o programa de desenvolvimento da Glaxo terá de incluir um estudo relativamente grande. Mas, se eles conseguirem mostrar eficácia na dor neuropática, acho que o mercado vai se convencer de que há futuro comercial para a droga – disse Scotcher.