Retaliação comercial do Brasil preocupa empresários dos EUA

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Publicado quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 as 13:26, por: cdb

A Associação Nacional de Manufatureiros dos Estados Unidos, maior associação da indústria norte-americana, reagiu com preocupação à notícia da retaliação comercial contra o país no valor de US$ 560 milhões aprovada pelo Brasil nesta terça-feira.

– Em um setor com tantas multinacionais, a retaliação certamente terá um impacto mais amplo, não somente nos dois países –, disse o diretor de Política de Comércio Internacional da entidade, Doug Goudie.

Nesta terça-feira, o Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Brasil aprovou uma lista prévia com 222 produtos norte-americanos, no valor de US$ 2,7 bilhões, que poderão ter aumento do Imposto de Importação.

A medida brasileira é uma retaliação comercial aos subsídios pagos pelos Estados Unidos aos produtores de algodão.

No ano passado, depois de sete anos de disputa, o Brasil foi autorizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) a levar adiante a retaliação.

Segundo Goudie, a associação está acompanhando a questão em conjunto com entidades como a Câmara de Comércio Americana e o Brazil US Business Council.

– Estamos trabalhando juntos, criando uma coalizão, reunindo as empresas e associações que deverão ser afetadas, que representam a vasta maioria dos manufatureiros nos Estados Unidos –, afirmou.

A lista final de produtos afetados será divulgada somente em 1º de março. Segundo a Camex, serão feitos ajustes técnicos para adequar a lista ao valor aproximado de US$ 560 milhões.

O diretor da associação americana disse que desde o final do ano passado, quando foi divulgada uma primeira lista prévia, o setor já vinha se mobilizando.

– Orientamos as empresas a entrarem em contato com seus clientes no Brasil e expressar a preocupação –, disse Goudie.

Uma das orientações era a de lembrar que a retaliação a determinados produtos poderia custar empregos no Brasil, já que os importadores podem ter problemas em encontrar outros fornecedores ou em manter preços competitivos – podendo, eventualmente, ter de fechar as portas e cortar vagas.

Goudie disse ainda que os manufatureiros estão sofrendo por uma retaliação provocada, na verdade, por outro setor (o agrícola).

Segundo o diretor, a principal preocupação dos manufatureiros americanos é a possibilidade de retaliação cruzada, ou seja, de o governo brasileiro usar seu direito de retaliação não apenas em produtos, mas também nas áreas de serviço e propriedade intelectual.

O governo brasileiro já afirmou que avalia essa possibilidade.

– A propriedade intelectual está no coração do setor manufatureiro americano –, disse Goudie.

– Estamos muito preocupados com o impacto que isso teria, não apenas nas nossas relações com o Brasil, mas em como abordar esse tipo de sistema, na ideia de propriedade intelectual como um todo –, afirmou.