Restrição ao crédito atinge preparação olímpica de Pequim

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 10 de setembro de 2004 as 11:42, por: cdb

As restrições econômicas da China atingiram parte das obras para a Olimpíada de 2008 em Pequim, disse uma autoridade local na sexta-feira, numa rara admissão de que os problemas de crédito abalaram os preparativos da cidade.

O prazo para a conclusão das obras de várias instalações esportivas foi marcado para 2007, segundo a imprensa estatal. Toda a capital, das avenidas aos banheiros, deve passar por uma “plástica” antes dos Jogos.

– Projetos que exigem crédito para serem completados foram afetados pelas restrições aos empréstimos – disse Chen Gang, administrador do rico bairro de Chaoyang, ao comentar os efeitos das restrições macroeconômicas sobre as obras.

– Mas não temos em mente um prazo claro sobre quando exatamente gostaríamos que todas as  avenidas e outras obras relativas à Olimpíada estejam prontas. Sentimos que é melhor deixar que o mercado decida –  afirmou ele em entrevista coletiva.

O bairro de Chaoyang deve ser a vitrine dos Jogos de Pequim. Lá ficará, por exemplo, o ambicioso centro aquático, com 100 mil lugares, cuja forma é inspirada no ninho de um pássaro.
A capital chinesa planeja gastar 37 bilhões de dólares até 2008, sendo 2 bilhões na construção de instalações esportivas, 2 bilhões em custos operacionais, 24,2 bilhões em infra-estrutura e 7 bilhões na limpeza da cidade, famosa por sua poluição.

Nas últimas semanas, o governo começou a discutir um aperto no cinto, e os organizadores já falam em “Jogos frugais”. Diminuir a capacidade de estádios e ginásios, por exemplo, pouparia milhares de toneladas de aço, um setor que está superaquecido por causa do forte crescimento econômico. As restrições aos investimentos servem justamente para diminuir a demanda e evitar um colapso.